Irã eleva estoques de urânio enriquecido, diz ministro

O Irã aumentou seus estoques de urânio enriquecido para níveis mais elevados, disse o chefe do programa nuclear do país, Ali-Akbar Salehi, neste sábado, desafiando os pedidos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que a nação interrompesse o programa. Salehi, que é também o atual ministro de Relações Exteriores do Irã, disse que o país tem agora 40 quilos de urânio enriquecido a 20%, ante os 30 quilos de urânio reportados em outubro do ano passado.

AE, Agência Estado

08 de janeiro de 2011 | 17h45

O Urânio enriquecido a 20% é suficiente para produzir combustível para um reator médico de pesquisa, mas está muito abaixo dos 90% necessários para construir material físsil para armas nucleares.

Salehi disse também que o Irã construiu uma fábrica de varetas e placas combustíveis nucleares em Isfahan. A nova instalação permitirá ao Irã produzir seu próprio combustível para o reator médico de pesquisa e dar-lhe mais força contra o Ocidente.

Mas especialistas ocidentais têm discutido se o Irã tem a capacidade tecnológica para produzir placas e varetas, visto que fez alegações semelhantes no passado.

A recusa do Irã em interromper o enriquecimento de urânio está no cerne de uma disputa com o Ocidente sobre o programa nuclear do país.

Um acordo para que o Ocidente fornecesse combustível para o reator médico de pesquisa desmoronou em razão de um impasse sobre o amplo programa nuclear do Irã, que o Ocidente suspeita ter sido concebido para desenvolver bombas atômicas. O Irã nega as acusações e diz que a programa é pacífico.

O Irã afirma que o combustível para o reator de pesquisa que produz radioisótopos de uso médico vai acabar em setembro, deixando o país sem os materiais necessários para diagnosticar e tratar cerca de 850 mil pacientes com câncer.

"Nós produzimos quase 40 quilos de urânio enriquecido a 20% e esperamos realizar a primeira injeção de combustível de fabricação iraniana no reator até setembro", disse Salehi, segundo a agência de notícias semioficial Fars.

O ministro declarou que o Irã não tinha intenção inicialmente de enriquecer urânio a 20%, mas foi forçado a fazê-lo depois que as potências mundiais se recusaram a fornecer o combustível nuclear ao país.

O Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs uma quarta rodada de sanções contra o Irã em meados do ano passado depois que o país se recusou a suspender o enriquecimento de urânio. As informações são da Associated Press.

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