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Irã enfrentará duras consequências se ameaçar os EUA, adverte Trump

Mensagem foi publicada no Twitter depois de o presidente iraniano, Hassan Rohani, ameaçar o líder americano a 'não brincar com fogo' pois um conflito com Teerã seria 'a mãe de todas as guerras'

O Estado de S.Paulo

23 Julho 2018 | 02h22
Atualizado 23 Julho 2018 | 15h04

WASHINGTON - O presidente americano, Donald Trump, advertiu no domingo, 22, o Irã sobre as duras consequências que sofrerá se ameaçar o país. “Nunca mais volte a ameaçar os EUA ou sofrerão consequências que poucos sofreram ao longo da história”. escreveu o republicano em sua conta no Twitter, em uma mensagem direta ao líder iraniano, Hassan Rohani.

“Não somos mais um país que suportará suas palavras dementes de violência e morte. Tenha cuidado”, acrescentou Trump, em mensagens escritas em letras garrafais.

O tuíte de Trump foi publicado depois de Rohani advertir o presidente americano, ainda no domingo, a não "brincar com fogo", garantindo que um conflito com o Irã seria "a mãe de todas as guerras".

"Você nos declara guerra e depois nos fala de sua vontade de apoiar o povo iraniano", afirmou Rohani, referindo-se a Trump durante uma reunião de diplomatas iranianos. "Você não pode provocar o povo contra sua segurança e seus próprios interesses", frisou o iraniano, em declaração transmitida pela televisão.

Rohani também alertou que o Irã controla e pode fechar o Estreito de Ormuz, um ponto estratégico no Golfo Pérsico por onde circula 30% do petróleo transportado por via marítima em nível mundial.

A troca de farpas lembra a escalada retórica entre Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, antes do alívio da tensão após o histórico encontro entre os dois. Trump fez do Irã um de seus alvos favoritos depois da inesperada aproximação com a Coreia do Norte.

O chefe da milícia iraniana Bassidj, general Gholam Hossein Gheypour, reagiu nesta segunda-feira, 23, às ameaças do presidente americano. "As declarações de Trump contra o Irã se enquadram em uma guerra psicológica. Ele não está em posição de agir contra o Irã", afirmou o general, segundo a agência de notícias Isna.

"Os que têm medo da guerra psicológica desse presidente louco saberão que os EUA se contentarão apenas com nossa aniquilação", afirmou Gheypur. "Mas o povo iraniano e as Forças Armadas se levantarão contra nossos inimigos."

Ameaça

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, também reagiu nesta manhã, elogiando a "posição dura" de Trump. "Quero homenagear a dura posição manifestada ontem pelo presidente Trump e pelo secretário de Estado Mike Pompeo contra a agressividade do regime do Irã", disse o premiê durante reunião de seu gabinete.

Nos últimos meses, Netanyahu vem insistindo que o Irã se retire da Síria e não se instale militarmente no país. Teerã e o movimento xiita libanês Hezbollah apoiam o governo do presidente sírio, Bashar Assad, também apoiado pela Rússia. Israel já bombardeou o território sírio em várias ocasiões, sobretudo, comboios de armas destinadas - segundo o governo - ao Hezbollah.

Horas antes dos tuítes de Trump, Pompeo havia advertido os líderes iranianos sobre a possibilidade de aumentar as sanções contra Teerã. "Não temos medo de enfrentar o regime em seu mais alto nível", disse ele em um discurso na Fundação Reagan, em referência às sanções contra o chefe do poder judicial do Irã, Sadeq Larijani. 

"Há mais (sanções) por vir", acrescentou. "Os líderes do regime, especialmente os que estão na cúpula da CGRI (Guardiães da Revolução) e a Força Quds (forças especiais), como Qasem Soleimani, devem sentir dolorosas consequências por sua má tomada de decisões", disse o chefe da diplomacia americana.

Em maio, o Tesouro dos EUA anunciou sanções contra seis iranianos e três companhias relacionadas ao Exército dos Guardiães da Revolução, assim como contra o Banco Central iraniano. 

Sob fortes aplausos de sua audiência, Pompeo afirmou que Washington apoiará os opositores na República Islâmica. "O regime no Irã foi um pesadelo para o povo iraniano", acrescentou.

No dia 8 de maio, Trump anunciou que os EUA se retiravam do acordo internacional sobre o programa nuclear iraniano firmado em 2015, assim como o reforço das sanções contra este país. O acordo histórico de 2015 submete o Irã a um estrito controle de suas atividades nucleares com o objetivo de impedir que o país desenvolva armas atômicas. 

Em contrapartida, suspende as sanções internacionais que pesam contra Teerã com a perspectiva de novos investimentos. Com sua saída do acordo nuclear, Washington busca aumentar a pressão sobre a República Islâmica. / AFP

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