Irã está aberto a negociações com EUA, diz ministro

O Irã estaria disposto a abrir suas instalações nucleares a inspetores estrangeiros, como parte das negociações com os Estados Unidos que poderiam levar à restauração das relações diplomáticas entre os dois países, disse neste domingo o ministro de Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif. O ministro disse também que o fim das sanções econômicas dos EUA e seus aliados ao país é imprescindível para qualquer acordo.

Agência Estado

29 Setembro 2013 | 17h09

Zarif reiterou que Teerã não pretende obter armamentos nucleares mas tem o direito de manter um programa nuclear com fins pacíficos. "Estamos dispostos a discutir vários aspectos do programa de enriquecimento (de urânio) do Irã. Nosso direito de enriquecer (urânio) não é negociável", disse o ministro.

Ao mesmo tempo, o vice-ministro de Relações Exteriores, Abbas Araghchi, tentou acalmar os iranianos mais radicais. "Nunca confiamos 100% na América", disse Araghchi, segundo a agência de notícias Fars, que tem ligações com a Guarda Revolucionária do país. Porém, o aiatolá Ali Khamenei, que tem autoridade sobre assuntos importantes de Estado, parece estar fornecendo seu apoio essencial à reaproximação do país com o Ocidente.

Na sexta-feira, os esforços de reaproximação incluíram uma conversa por telefone de 15 minutos entre o presidente iraniano, Hassan Rouhani, e Barack Obama. Este foi o primeiro contato direto entre líderes dos dois países em três décadas.

Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que irá à ONU para "falar a verdade, diante da conversa amigável e do ataque de risos", referindo-se às aberturas diplomáticas do Irã ao Ocidente. Esta é a primeira reação do governo israelense à conversa por telefone entre Obama e Rouhani. Netanyahu está viajando aos EUA para se reunir com Obama e falar na Assembleia Geral da ONU. O líder israelense está cético sobre Rouhani. Israel acredita que o Irã continua a aumentar a capacidade de armamento nuclear e que isso ameaça o país.

Segundo a rede de TV israelense Channel One, Netanyahu dirá a Washington que o programa nuclear do Irã precisa ser desmantelado, e não apenas supervisionado. Caso isso não ocorra, Israel pode abandonar a via diplomática e recorrer a ações militares unilaterais contra o Irã, disse um repórter do canal.

"Bem, um ataque de risos é melhor do que um ataque de mentiras", disse Zarif em resposta a Netanyahu. Ele observou que líderes israelenses vêm alertando desde 1991 que o Irã está próximo de obter armas nucleares, mas que isso nunca aconteceu. "Não estamos a seis meses, seis anos, 60 anos de conseguir armas nucleares. Acreditamos que armas nucleares são prejudiciais à nossa segurança."

Apesar dos esforços de reaproximação, os dois lados continuam céticos. "Obviamente, nós e os outros da comunidade internacional temos todos os motivos para ser céticos, e qualquer acordo precisa ser completamente verificável e executável", disse Susan Rice, assessora de segurança nacional da Casa Branca. Rice disse que as sanções serão mantidas até que os EUA e seus aliados estejam convencidos de que o Irã não pretende obter armas nucleares.

"Certamente, uma história de tensões entre Teerã e Washington não se transformará em relações normais por causa de uma ligação telefônica, um encontro ou uma negociação", disse Araghchi. Fontes: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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