Irã está enriquecendo urânio em instalação subterrânea

Fontes diplomáticas confirmaram nesta segunda-feira que o Irã iniciou o processo de enriquecimento de urânio na instalação subterrânea de Fordo e afirmaram que a notícia é particularmente preocupante, porque o local está sendo usado para produzir material que pode ser aprimorado mais rapidamente para ser usado numa arma nuclear do que o restante do estoque de urânio enriquecido do país.

AE, Agência Estado

09 de janeiro de 2012 | 12h06

Os diplomatas disseram que as centrífugas em Fordo, que fica perto da cidade sagrada de Qom, estão produzindo urânio enriquecido a 20%. Este nível é muito maior do que os 3,5% alcançados na principal instalação de enriquecimento iraniana e pode ser transformado numa ogiva físsil mais rapidamente e com menos trabalho.

A notícia já era esperada, pois Teerã anunciou meses atrás que usaria a instalação de Fordo para produzir urânio a 20%. O Irã começou a enriquecer pequenas partes de seu estoque a quase 20% em fevereiro de 2010, num local de experimentação menos protegido, afirmando que precisava de material com maior enriquecimento para abastecer um reator de Teerã que produz radioisótopos para o tratamento de pacientes com câncer.

Mas como o tempo e os esforços são menores para produzir urânio para uma arma a partir de material enriquecido a 20%, o início da operação em Fordo aumenta os temores internacionais que o Irã está determinado a alcanças a capacidade para produzir ogivas nucleares, apesar a insistência da República Islâmica de que o processo tem apenas o objetivo de produzir combustível para o reator. A rejeição do país em aceitar as conclusões da Agência Internacional de Energia Atômica sobre seus trabalhos experimentais também preocupa a comunidade internacional.

Recentemente o Irã ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, importante rota marítima por onde passa cerca de um quinto do petróleo comercializado em todo o mundo. O governo de Teerã também está irritado com os esforços do Ocidente de aplicar sanções ao país por causa de seu programa nuclear, incluindo a possível proibição da Europa de importar petróleo iraniano. As informações são da Associated Press.

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