Irã está na "luta contra o terror", diz britânico

O chanceler britânico, Jack Straw, realizou hoje uma "histórica" visita ao Irã, de onde partiu para Israel com poucas esperanças de que Teerã venha a mudar sua posição em relação à coalizão global liderada pelos Estados Unidos contra o terrorismo. Straw, a mais alta autoridade britânica a visitar o Irã desde a revolução islâmica de 1979, disse durante uma entrevista coletiva em Teerã que "estamos unidos na oposição ao terrorismo daquele tipo". O Reino Unido e o Irã concordam em que uma ação internacional deve ser promovida contra o terrorismo, mas Teerã tem declarado querer que as Nações Unidas, e não Washington, liderem uma aliança.A visita de Straw ocorreu em meio a uma crescente tensão política no Oriente Médio, com o líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, presidindo nesta terça-feira à noite uma reunião de emergência do mais alto órgão de segurança do país. O Conselho Nacional Supremo de Segurança discutiu formas de salvaguardar os interesses iranianos, enquanto Teerã pressiona por uma coalizão antiterrorismo liderada pela ONU, divulgou a oficial Agência de Notícias da República Islâmica (Irna). "O líder supremo ofereceu as linhas mestras ao conselho que então tomou as decisões necessárias", afirmou a agência, sem precisar quais as decisões que foram tomadas.Straw, que foi acompanhado de 17 diplomatas britânicos em sua visita de um dia a Teerã, disse na entrevista coletiva que "não vim com uma lista de compras", explicando que sua visita visava fortalecer o entendimento entre a Grã-Bretanha e o Irã. Ele também não levou qualquer mensagem de Washington para Teerã, garantiu. A Grã-Bretanha é partidária de uma mudança de governo no Afeganistão, onde a milícia Taleban controla 95% do território, disse Straw."O que é claro é a profunda importância de que haja uma mudança na linha de governo no Afeganistão. A brutalidade daquele regime tem causado grande sofrimento dentro do Afeganistão e também terríveis problemas para o povo do Irã", afirmou. O Irã apóia a aliança nortista do Afeganistão, que tem combatido tropas do Taleban em áreas estratégicas ao norte da capital, Cabul. A expectativa era de que Straw tentasse descobrir qual - se algum - apoio o Irã estava disposto a dar aos Estados Unidos e seus aliados numa ofensiva contra Osama bin Laden, que tem suas bases no Afeganistão.O ministro do Exterior do Irã, Kamal Kharrazi, reiterou a posição iraniana de que é necessário se alcançar um consenso internacional para erradicar o terrorismo. "Ação apressada pode resolver alguns problemas em curto prazo mas certamente, no longo prazo, não irá funcionar. A opinião pública mundial deve ser convencida primeiro", afirmou. Também hoje, 210 parlamentares iranianos advertiram Washington contra ações militares unilaterais contra o Afeganistão, divulgou a agência oficial."Os ataques terroristas contra os Estados Unidos causaram ódio contra o terrorismo internacional na comunidade internacional e no Irã... (mas) a repetição da catástrofe humana também é condenável", afirmaram os legisladores numa carta. "Não há dúvida de que uma ação militar retaliatória de Washington (contra o Afeganistão) não pode ser considerada como uma medida adequada na luta contra o terrorismo".O porta-voz do Ministério do Exterior iraniano, Hamid Reza Asefi, havia descartado na semana passada o uso do espaço aéreo do Irã pelos Estados Unidos para um ataque contra o Afeganistão. O chanceler Kharrazi também adiantou que as relações entre o Irã e os Estados Unidos não serão restauradas enquanto Washington não revisar suas políticas em relação ao Estado islâmico. "No momento em que essas políticas hostis pararem e o princípio da equivalência for observado, então o Irã estará pronto para ter relações com a América", disse.Washington rompeu relações com Teerã depois que estudantes iranianos capturaram a embaixada dos EUA em 1979, mantendo americanos reféns por 444 dias. Apesar de o Irã fazer parte da lista do Departamento de Estado dos EUA de países que patrocinam o terrorismo, Washington tem se mostrado disposto a explorar a possibilidade de Teerã unir-se a uma ampla coalizão internacional contra o terrorismo. Com idêntica expectativa, uma delegação da União Européia chegou nesta terça-feira à noite a Teerã depois de passar pelo Paquistão, em busca de apoio no Oriente Médio para os esforços dos EUA de encontrar e prender os responsáveis pelos ataques terroristas em seu território, que deixaram mais de 6.000 mortos ou desaparecidos.

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