Irã estipula em US 500 mil fiança de americana detida no país

Promotor diz que outros dois americanos devem ser processados por espionagem

BBC Brasil, BBC

12 de setembro de 2010 | 08h57

A Justiça iraniana disse neste domingo que a americana detida no país desde julho de 2009 sob acusação de espionagem pode ser liberada mediante o pagamento de fiança de US$ 500 mil.

O promotor Abbas Jafari Dolatabadi disse que Sarah Shourd, de 32 anos, pode deixar o país após pagar a quantia.

Shourd e dois homens, Shane Bauer e Josh Fattal, foram presos nas proximidades da fronteira ente o Irã e o Iraque. Suas famílias dizem que os três ex-estudantes da universidade americana de Harvard entraram em território iraniano por engano, em meio a uma caminhada pelas montanhas do curdistão iraquiano.

Mas o Irã diz que o grupo pretendia espionar, embora os americanos ainda não tenham sido formalmente acusados.

Tratamento

"Baseado em documentos e tendo recebido a confirmação do juiz de direito a respeito da doença da sra. Shourd, sua detenção foi convertida em uma fiança de US$ 500 mil", disse o promotor Jafari-Dolatabadi.

"Ela não está impedida de deixar o Irã. Os outros dois detidos americanos permanecem na cadeia", disse ele.

A mãe de Shourd disse, após visitá-la em maio, que a filha não vinha recebendo tratamento para um possível tumor no seio.

Relatos dizem que os três jovens estão desnutridos e deprimidos após mais de um ano presos em regime de semi-isolamento.

Processos

O promotor Dolatabadi disse que a acusação contra os dois homens deve ser apresentada em breve e que há "razões suficientes para acusar os três de espionagem", crime punido com pena de morte no Irã.

"Foi provado que eles entraram ilegalmente no país. Além disso, o equipamento e mantimentos que eles traziam são usados apenas por espiões", disse ele.

No sábado, Dolatabadi havia se oposto a planos do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, de libertar Shourd ao fim do mês santo do Ramadã, alegando que "procedimentos legais não haviam sido finalizados".

O correspondente da BBC no Oriente Médio Jon Leyne disse que muitos dos detidos esperando julgamento no Irã preferem pagar fianças e deixar o país para não correr o risco de longas sentenças.

Mas ele disse que, com tantas reviravoltas envolvendo o caso, é compreensível que a família de Shourd tenha cautela antes de comemorar sua liberdade.

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pediu publicamente ao governo do Irã que solte os três.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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