REUTERS/Morteza Nikoubazl
REUTERS/Morteza Nikoubazl

Irã executa 20 sunitas acusados de terrorismo

Trata-se de uma das mais importantes execuções em massa da República Islâmica; ONG diz que confissões foram obtidas sob tortura

O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2016 | 16h42

O Irã, país de maioria xiita, executou na forca 20 membros de um grupo terrorista sunita acusados de assassinato e ameaça à segurança nacional, em uma das mais importantes execuções em massa da República Islâmica. Segundo a agência Reuters, os executados seriam curdos islâmicos acusados de atacar forças de segurança em um caso que grupos de direitos humanos afirmam que as condenações se basearam em confissões forçadas. 

O procurador-geral, Mohamad Javad Montazeri, confirmou nesta quinta-feira, 4, à televisão estatal Irib, que os 20 condenados foram executados na terça-feira, sem informar a nacionalidade deles ou o local da execução. "Essas pessoas cometeram assassinatos, mataram mulheres e crianças, causaram destruição, atuaram contra a segurança nacional e mataram autoridades religiosas sunitas em regiões curdas", afirmou Montazeri.

O ministério iraniano dos serviços de inteligência informou na quarta-feira em um comunicado sobre 24 casos de ataques armados, explosões com bomba e roubos entre 2009 e 2012 cometidos pelo grupo Tawhid e Jihad, que deixaram 21 mortos e quase 40 feridos no oeste do Irã.

Um total de "102 membros e partidários desse grupo foram identificados, alguns morreram em combates com a polícia, outros foram detidos. Alguns dos detidos foram condenados à morte e outros cumprem penas de prisão", acrescentou o ministério.

O grupo é acusado de ter assassinado, em 2009, dois religiosos sunitas, um dos quais era um representante provincial da poderosa Assembleia de Especialistas. O procurador disse que os acusados seguiam a ideologia "takfiri", um termo para designar grupos extremistas ou islamitas radicais sunitas.

A International Campaign for Human Rights in Iran, uma organização independente com sede em Nova York, disse que 20 prisioneiros foram enforcados. Afirmou ainda que a Suprema Corte do Irã rejeitou o apelo de um dos condenados, Shahram Ahmadi, contra sua sentença de morte, apesar da alegação de que sua confissão foi obtida sob tortura. 

Complô. No fim de junho, o Irã anunciou ter desmantelado "um dos mais importantes complôs terroristas" de organizações jihadistas em seu território. Responsáveis da segurança nacional haviam anunciado a prisão de terroristas que planejavam atentados suicidas em Teerã.

As grandes cidades iranianas são normalmente seguras e não costumam ser alvos de atentados de organizações extremistas como o grupo Estado Islâmico (EI).

No entanto, nas zonas próximas da fronteira com o Iraque (oeste), Afeganistão ou Paquistão (sudeste), ocorrem com frequência confrontos entre as forças iranianas e os grupos jihadistas ou os rebeldes curdos.

Nos últimos anos ocorreram muitas execuções em massa no país. Em julho de 2009, 24 traficantes de drogas foram enforcados na prisão Rajai Shahr de Karaj, a oeste de Teerã. Poucas semanas antes, outros 20 traficantes foram executados da mesma forma nessa prisão.

Em julho de 2008, 29 pessoas foram executadas na forca por tráfico de drogas, homicídio ou estupro. No Irã, assassinato, estupro, roubo a mão armada, tráfico de drogas e adultério podem ser punidos com a pena de morte.

A relação mais tranquila entre os países ocidentais e o Irã há um ano, depois do acordo sobre o programa nuclear iraniano, preocupa os militantes contrários à pena de morte. Segundo a ONU, a República Islâmica executou em 2015 quase mil pessoas. / AFP e REUTERS 

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