REUTERS/Raheb Homavandi/File Photo
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Irã executa cientista nuclear acusado de espionar para os Estados Unidos

Shahram Amiri foi executado na forca; em 2010, o canal americano ABC disse que ele havia desertado e estava trabalhando para a CIA

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2016 | 20h39

DUBAI - O cientista nuclear iraniano Shahram Amiri foi executado na forca após ser condenado por fornecer informações secretas aos Estados Unidos, informou neste domingo, 7, um porta-voz do Judiciário.

Amiri havia desaparecido em junho de 2009 na Arábia Saudita, onde se encontrava em peregrinação, e voltou a aparecer em julho de 2010 no território americano, pedindo para voltar ao Irã. Foi acolhido então por funcionários iranianos e desde então não se tinha notícias dele.

"Shahram Amiri, que facilitava ao inimigo (Estados Unidos) informações sigilosas, foi enforcado", declarou o porta-voz em coletiva de imprensa. "Este indivíduo não imaginava que nosso sistema de inteligência sabia o que fazia e como foi levado à Arábia Saudita", afirmou ele, acrescentando que "desde sua partida, um tribunal de primeira instância o havia condenado à morte".

"Os Estados Unidos foram enganados neste caso por nosso sistema de inteligência", disse o porta-voz, sem dar maiores detalhes. O departamento de Estado americano se negou a dar declarações a respeito.

Em março de 2010, o canal americano ABC disse que o cientista iraniano havia desertado e estava trabalhando para a CIA. Um dia depois de sua volta ao Irã, o jornal americano The New York Times, citando funcionários americanos, disse que Amiri foi informante da CIA no Irã durante anos.

Em julho do mesmo ano, Amiri disse que havia sido sequestrado na Arábia Saudita por dois agentes que falavam persa e pertenciam à CIA, onde foi mantido por mais de um ano. Nessa época, a crise entre os ocidentais e o Irã, acusado de querer fabricar uma bomba atômica, estava em seu auge. 

Entre janeiro de 2010 e janeiro de 2012, cinco cientistas iranianos foram assassinados em Teerã. Autoridades iranianas acusaram os Estados Unidos, Israel e Grã-Bretanha pelas mortes. Iranianos e americanos não mantêm relações diplomáticas desde 1980. No entanto, nos últimos anos, os chefes da diplomacia dos dois países realizaram negociações que permitiram solucionar o problema do programa nuclear iraniano com o acordo assinado em julho de 2015, e que entrou em vigor em janeiro. / EFE

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