Irã exige presença de Brasil em negociações

Ahmadinejad afirma que está pronto para retomar conversas sobre programa nuclear, mas impõe condições sobre participantes

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

28 de julho de 2010 | 00h00

Um dia depois de prometer que não colocaria condições para voltar à negociar um acordo referente ao seu programa nuclear, o Irã anunciou ontem que exige a participação do Brasil e da Turquia nas discussões que poderiam ocorrer em setembro.

Na segunda-feira, o Irã informou em uma carta à AIEA que estava pronto para negociar. A Europa também indicou que quer conversar com Teerã, mas insistiu que o formato da negociação deveria incluir o sexteto ? EUA, Rússia, China, França, Grã-Bretanha e Alemanha ? e não Brasil e Turquia.

Em maio, Brasília e Ancara negociaram com Teerã um acordo que previa o intercâmbio de urânio enriquecido. O pacto, porém, não foi aceito por europeus e americanos.

Ontem, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad afirmou que está pronto para debater com os europeus a partir de setembro. "Mas o Irã quer que a Turquia e o Brasil participem das negociações", disse Ahmadinejad.

Em Bruxelas, a diplomacia europeia mostrou desconfiança em relação ao envolvimento dos dois países. Não por conta da posição propriamente dita do Brasil e da Turquia, mas diante da possibilidade de o Irã usar esses aliados como forma de ganhar tempo. Em várias ocasiões, diplomatas de alto escalão na Europa já alertaram o Brasil de que o governo estaria sendo "instrumentalizado" pelos iranianos.

Carta. O Estado obteve ainda confirmações por parte dos europeus de que, em uma carta enviada por Teerã a Bruxelas em junho, Ahmadinejad insistia em outras três condições para voltar a negociar. Os países envolvidos teriam de declarar se estão em oposição ou não ao arsenal nuclear de Israel, se apoiam o Tratado de Não-Proliferação nuclear e se consideram ser inimigos de Teerã. A carta ainda cobra dos europeus uma posição clara: o Irã quer saber se as reuniões serão para promover "uma interação e cooperação, ou para ver hostilidade e confrontação".

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