Irã fará oferta nuclear aos EUA, diz revista

Segundo 'Der Spiegel', Rohani proporá retirada de centrífugas em troca do fim das sanções

O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2013 | 02h14

TEERÃ - O novo presidente do Irã, Hassan Rohani, proporá aos EUA um ambicioso acordo nuclear que incluirá o esvaziamento do mais controvertido centro de enriquecimento de urânio em território iraniano. A informação foi revelada ontem pela revista alemã 'Der Spiegel', citando fontes de inteligência. Em troca, Rohani cobraria o fim das sanções internacionais contra a exportação de petróleo e operações do Banco Central de Teerã.

Não houve nenhuma confirmação oficial do suposto plano de aproximação a ser apresentado pelo presidente iraniano. No entanto, a informação vem à tona enquanto crescem rumores de que Rohani se encontrará com o próprio presidente Barack Obama ainda este mês, em Nova York - o líder iraniano participará da abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, na semana que vem. Em entrevista a uma emissora de TV americana, Obama revelou ter trocado mensagens com Rohani, sem dizer qual foi o conteúdo da conversa.

De acordo com a Spiegel, a oferta iraniana envolveria a usina de Fordo, construída embaixo de uma montanha, perto de Teerã. Segundo especialistas, esse centro de enriquecimento subterrâneo é o único que Israel não tem capacidade militar para destruir em um bombardeio. Inspetores internacionais supervisionariam a remoção das centrífugas de Fordo em troca do fim das sanções americanas e europeias.

O presidente iraniano revelará a oferta, segundo a revista, durante a abertura da Assembleia-Geral das Nações Unidas, possivelmente em seu discurso da tribuna da organização, em Nova York. No poder desde o mês passado, Rohani era o único candidato do campo reformista nas eleições iranianas e surpreendeu ao derrotar seus rivais conversadores já no primeiro turno. Sua campanha foi marcada por promessas de diálogo com o Ocidente, além de temas como direito das mulheres e censura à imprensa.

Ainda ontem, o chefe do programa nuclear iraniano, Ali Akbar Salehi, teria afirmado a funcionários da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, que seu país pretende "aprofundar e expandir" a cooperação no setor. Ligado à linha-dura, Salehi foi um dos candidatos derrotados por Rohani em julho. / AFP

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