Irã ignora exigência do G-8 para que responda a oferta até 5 de julho

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, ignorou nesta quinta-feira as exigências do Grupo dos Oito (G-8, composto por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Itália, Japão e Rússia) para que responda até 5 de julho ao pacote oferecido pelas principais potências nucleares do planeta para que o governo iraniano abra mão de seu programa de enriquecimento de urânio. O ministro reforçou que Teerã precisa de prazo até meados de agosto para analisar o documento.Mottaki explicou que o Irã tem algumas dúvidas sobre detalhes da proposta que serão levantadas durante uma reunião prevista para o início do próximo mês com o chefe de política externa da União Européia (UE), Javier Solana. Essas questões precisam ser esclarecidas para que o Irã responda formalmente à proposta em agosto, reforçou o chanceler iraniano."A república islâmica do Irã está analisando com seriedade e cautela o pacote proposto", declarou o chanceler. "Dúvidas e ambigüidades precisam ser esclarecidas. Portanto, esperamos ansiosamente pelas discussões e negociações para esclarecimento dessas dúvidas e ambigüidades", prosseguiu.As declarações desta quinta-feira contradizem palavras de Mottaki à revista alemã Stern, que citou o chanceler iraniano dizendo que o Irã talvez pudesse dar uma resposta antes da reunião de líderes do G-8, prevista para começar em 15 de julho na cidade russa de São Petersburgo.DescontentamentoMais cedo, chanceleres do G-8 manifestaram descontentamento com a falta de resposta do Irã a uma oferta elaborada por Alemanha, China, EUA, França, Grã-Bretanha e Rússia para que Teerã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio e exigiram um posicionamento por parte do governo iraniano até 5 de julho, quando ocorrerá a reunião entre Solana e diplomatas iranianos.O enriquecimento de urânio é um processo necessário para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o enriquecimento de urânio também pode resultar em material próprio para carregar ogivas atômicas.Os EUA acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica.

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