Irã ignora ultimato da ONU e continua programa nuclear

O Irã expandiu seu programa de enriquecimento de urânio ao invés de cumprir com o ultimato dado pelo Conselho de Segurança da ONU para que congele a atividade, informou a agência da ONU responsável pelo monitoramento nuclear no planeta nesta quinta-feira, 22. O relatório deve abrir o caminho para que o Conselho de Segurança da ONU amplie as sanções já adotadas contra a República Islâmica.A análise da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) tem como base informações de materiais levantados pela agência até o último sábado. Embora previsível, a conclusão era importante para que o conselho começasse a refletir sobre as novas sanções que punirão Teerã por sua intransigência.No relatório assinado pelo diretor geral da AIEA, Mohamed ElBaradei, a agência detalha os recentes avanços de Teerã para ampliar seu programa de enriquecimento de urânio. Entre as medidas adotadas pela República Islâmica está a disposição de centenas de centrífugas para o processamento do urânio em uma usina subterrânea no deserto de Natanz e o armazenamento de nove toneladas de gás de urânio para ser utilizado na instalação.Ainda segundo o texto, funcionários do governo iraniano informaram que irão expandir o conjunto de centrífugas para que elas somem milhares até maio.Na declaração, a agência explica ainda que a República Islâmica continua a construção de um reator que usará água pesada (quimicamente semelhante à água normal, porém com átomos de hidrogênio mais pesados denominados deutérios) e usinas de produção de água pesada - também desafiando o Conselho de Segurança.Tanto o urânio enriquecido quanto o plutônio produzido pelos reatores de água pesada iranianos poderão ser usados para produzir ogivas para armas nucleares. O Irã nega ter essas intenções, e argumenta que precisa de reatores de água pesada para produzir isótopos radioativos que serão utilizados com propósitos medicinais. Já o urânio seria destinado para a produção de energia elétrica. O relatório de seis páginas também diz que peritos da agência continuam "incapazes... de progredir em seus esforços de verificar amplamente o desenvolvimento passado do programa nuclear do Irã" devido à falta de cooperação iraniana. Isso viola a determinação feita pelo Conselho de Segurança, que aplicou sanções ao Irã em 23 de dezembro e pediu que Teerã providenciasse "acesso e cooperação quando a agência requisitar verificação... de todos tópicos proeminentes" dentro de 60 dias.SançõesNa decisão firmada em dezembro, após meses de impasse, o Conselho de Segurança (CS) da ONU concordou por unanimidade em impor sanções contra a República Islâmica em uma medida punitiva contra a insistência de Teerã em manter sua produção de urânio enriquecido - elemento que pode ser usado tanto como combustível para a produção de energia, como para a fabricação de armamentos. As medidas incluem um embargo na venda de elementos que possam ser usados no programa nuclear iraniano e a suspensão de programas de cooperação energética da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).Com a resolução de dezembro, o CS pediu à AIEA a elaboração de um relatório sobre o comportamento do Irã nos 60 dias posteriores à adoção do texto. A ONU determina que o Irã suspenda o enriquecimento de urânio e volte à mesa de negociação. Caso contrário, as sanções aplicadas em dezembro deverão ser ampliadas.EUAA Casa Branca recebeu uma cópia do relatório antecipadamente, segundo Gordon Johndroe, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca. Mesmo antes de o relatório ser publicado, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, já havia dito nesta quinta-feira que os EUA e seus aliados usariam o Conselho de Segurança da ONU e outros "canais permitidos" para trazer Teerã de volta às negociações sobre seu programa nuclear.Para os EUA, a teimosia do Irã "é uma oportunidade perdida para o governo iraniano e para o povo iraniano". O porta-voz do Departamento de Estado, Tom Casey, disse que sabia que o relatório da AIEA confirmaria, como esperado, a falta de colaboração com as requisições do Conselho de Segurança.Casey disse estar confiante de que sanções adicionais serão aprovadas, mas se recusou a predizer quais seriam.ONUJá o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou estar "profundamente preocupado... (com o fato de) o governo iraniano não ter cumprido o prazo limite (quarta-feira) colocado pelo conselho".As atividades nucleares do Irã tem "grandes implicações para a paz e segurança, assim como para a não-proliferação de armas de destruição em massa", concluiu Ban.

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