Irã inaugura usina em mais uma etapa da busca de energia nuclear

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, inaugurou formalmente, este sábado, a usina de água pesada de Arak, abrindo nova etapa do programa nuclear iraniano. Ahmadinejad declarou que o Irã não desistirá do direito de possuir tecnologia nuclear, apesar do temor do Ocidente de que possa produzir bombas atômicas. A inauguração foi interpretada por diplomatas ocidentais como um gesto desafiador, já que ocorreu a poucos dias do vencimento, 31 de agosto, do prazo fixado pelo Conselho de Segurança da ONU para que o Irã pare com o enriquecimento de urânio, fonte da principal preocupação do Ocidente em relação ao programa nuclear iraniano. Caso contrário poderá sofrer sanções."Ninguém pode privar uma nação de seus direitos", disse Ahmadinejad, em Arak. A água pesada será usada para resfriamento de um reator a ser instalado no local. O equipamento será capaz de criar um subproduto do plutônio, que poderia ser usado para a fabricação de armas nucleares.As nações ocidentais acusam o Irã de buscar a tecnologia para produzir armas nucleares. O Irã, quarto maior exportador mundial de petróleo, insiste que só quer produzir eletricidade. Ahmadinejad declarou que o programa nuclear iraniano não representa ameaça a nenhum país, nem mesmo a Israel, "que definitivamente é um inimigo". Mas o deputado israelense Ephraim Sneh disse, em Jerusalém, que Israel deve "preparar-se militarmente".Apesar da possibilidade de o Irã enfrentar sanções se não atender à exigência da ONU, a divisão entre as potências mundiais sobre como lidar com a república islâmica pode adiar qualquer ação. Segundo o jornal Los Angeles Times, o governo americano indicou que está pronto para formar uma coalizão independente para congelar os bens iranianos no exterior e restringir o comércio se necessário. Para analistas, sanções impostas por apenas alguns países teriam impacto limitado.O Irã deve aumentar os temores no Ocidente ao levar adiante com seu projeto em Arak, localizada a 190 quilômetros a sudoeste da capital, Teerã. Um funcionário iraniano disse que o projeto não representa risco de proliferação nuclear, pois a água pesada não tem uso militar. Mas diplomatas disseram que este não é um passo construtivo. "O projeto em si pode não representar risco de proliferação, mas as operações associadas - ainda não iniciadas -, sim. E o momento parece particularmente infeliz", disse um diplomata em Viena que acompanha as operações da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) no Irã.A resolução do Conselho de Segurança da ONU que determinou o prazo para o fim do enriquecimento de urânio também cita um pedido da AIEA para que o Irã reconsidere a construção de seu reator de água pesada. Seis potências mundiais - EUA, Grã-Bretanha, Alemanha, França, China e Rússia - ofereceram incentivos ao Irã para que ele pare de enriquecer urânio. Mas o Irã indicou que somente poderia considerar essa medida como resultado de conversações, não como uma precondição. China e Rússia, ambos parceiros comerciais do Irã, poderiam vetar as sanções no Conselho de Segurança.

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