Irã inicia abastecimento da usina nuclear de Bushehr

Complexo deve começar a operar em breve e fornecerá energia a partir do início de 2011

Efe

26 de outubro de 2010 | 08h14

TEERÃ - Especialistas iranianos começaram a abastecer nesta terça-feira, 26, pela primeira vez, o reator da usina nuclear de Bushehr, situada às margens do Golfo Pérsico, informou a televisão estatal PressTV. A central começará a operar assim que as 163 barras de urânio enriquecido forem colocadas no núcleo do reator, segundo a fonte.

 

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A informação foi antecipada na segunda-feira pelo presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento iraniano, Alaedin Boroujerdi, quem definiu a ocasião como "uma grande vitória do Irã" sobre as grandes potências.

 

"Alemanha, Reino Unido e França se opuseram a transferir aos pesquisadores a tecnologia para (construir) centrífugas. Hoje temos entre 7 mil e 8 mil", destacou Boroujerdi, citado pela agência estatal Irna.

 

"Apesar das políticas dos EUA e de certos Estados europeus, que impuseram sanções à República Islâmica, seguiremos adiante com nossas políticas. Se eles não constroem uma usina para o Irã, o Irã o fará por si próprio", acrescentou.

 

Em 21 de agosto, as autoridades nucleares iranianas anunciaram que já tinham dado início aos trabalhos de abastecimento da usina. Uma ataque cibernético, porém, atrasou o início das atividades da usina, que deve operar em breve e transferir energia para o país no início de 2011.

 

Impasse nuclear

 

As potências ocidentais acusam o Irã de esconder, sob seu programa nuclear civil, outro de natureza clandestina e aplicações bélicas, cujo objetivo seria a aquisição de armas atômicas. Teerã nega tais alegações.

 

As tensões sobre o programa nuclear iraniano se acirraram no final do ano passado após o Irã rejeitar uma proposta de troca de urânio feita por EUA, Rússia e Reino Unido. Meses depois, o país começou a enriquecer urânio a 20%.

 

Um acordo mediado por Brasil e Turquia para troca de urânio chegou a ser assinado com o Irã em maio. O acordo, porém, foi rejeitado pelo Grupo de Viena - composto por Rússia, França, EUA e AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) - e o Conselho de Segurança da ONU optou por impor uma quarta rodada de sanções ao país.

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