Irã irá suspender colaboração com AIEA em caso de sanções

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, insistiu nesta terça-feira que seu país suspenderá sua colaboração com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) caso sejam impostas sanções contra o país. Larijani, citado pela agência local de notícias Meher afirmou que "não é possível frear as atividades nucleares do Irã com o embargo. Suspenderemos nossas relações com o organismo (AIEA) e seguiremos com nosso trabalho caso nos imponham sanções". "Não se pode impedir as atividades nucleares no Irã com ações radicais", acrescentou o alto representante de segurança iraniano durante a conferências "O programa nuclear do Irã: políticas e pontos de vista", realizada em Teerã. Além disso, Larijani advertiu que "em caso de um ataque militar americano contra as instalações nucleares do Irã, o país continuará suas atividades nucleares de maneira secreta em outros locais". As afirmações de Larijani vêm à tona um dia depois de o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad dizer que não acredita que o Conselho de Segurança irá impor sanções contra o país. Ele também advertiu que pode abandonar o tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP). Ahmadinejad disse que está reconsiderando a adesão do Irã ao Tratado, que tem por objetivo impedir a proliferação de armamentos atômicos enquanto permite o uso pacifico de energia nuclear. Reunião em Viena Apesar das ameaças, uma alta representação iraniana se reunirá nesta quarta-feira em Viena com a cúpula da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para discutir o controvertido programa nuclear de Teerã. A informação foi dada nesta terça-feira na capital austríaca por fontes diplomáticas próximas ao organismo das Nações Unidas, cujo diretor-geral, Mohamed ElBaradei, está elaborando um relatório sobre as atividades atômicas do Irã para entregá-lo ao Conselho de Segurança da ONU no final desta semana. As conversas de quarta-feira acontecerão dois dias antes do fim do prazo concedido pelo Conselho de Segurança para que o Irã suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, um material muito sensível por ter aplicações tanto civis como militares. Segundo as fontes consultadas, o vice-presidente do Irã e principal responsável pelo programa nuclear iraniano, Gholamreza Aghazadeh, liderará a delegação de seu país. Espera-se que a AIEA emita na próxima sexta-feira seu estudo sobre o programa nuclear do Irã a partir das recentes visitas de seus inspetores à República Islâmica. Relatório negativo Os Estados Unidos esperam que as conclusões do relatório técnico sobre o programa nuclear do Irã sejam negativas. Segundo o porta-voz da missão americana na AIEA, Matt Boland, Washington "não pode imaginar" que o relatório seja positivo "devido aos fatos que estão ocorrendo no terreno (no Irã)". O diplomata americano, no entanto, disse que seu Governo "ainda não conhece o conteúdo" do relatório de El Baradei. Mas é importante lembrar que a Junta pediu ao Irã que "suspenda seu programa de enriquecimento de urânio, coopere mais com a comunidade internacional e outorgue mais acesso a lugares, pessoas e materiais, algo que Teerã não faz", disse Boland. O diplomata americano esclareceu que Washington também não aceitará qualquer tentativa por parte do Irã de oferecer no último momento "medidas paliativas" para tranqüilizar a comunidade Internacional. Os Estados Unidos tentam convencer os outros países do Conselho de Segurança da ONU a tomar medidas duras contra o Irã por seu controvertido programa nuclear, mas China e Rússia são reticentes e preferem uma solução diplomática e pacífica. Teerã assegura que suas pesquisas no campo nuclear têm apenas fins pacíficos, como a geração de energia elétrica.

Agencia Estado,

25 Abril 2006 | 14h09

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