Irã já opera 164 centrífugas para enriquecer urânio

O ex-presidente iraniano e atual chefe do Conselho de Determinação Iraniana, Hashemi Rafsanyani, disse nesta terça-feira que seu país já opera com sucesso 164 centrífugas para enriquecimento de urânio na central nuclear de Natanz. A informação é de uma agência de notícias do Kuwait. Mais cedo, a agência de notícias oficial do Irã, Irna, já havia anunciado que o presidente Mahmoud Ahmadinejad faria nesta terça-feira um pronunciamento em que daria "boas notícias nucleares" ao povo iraniano. Tudo leva a crer que ele oficializará o anúncio das operações em Natanz. Em um discurso em uma localidade no noroeste do país, Ahmadinejad já havia anunciado que o Irã "em breve fará parte do clube dos países que possuem tecnologia nuclear". "Nossos inimigos não conseguirão tirar a nação iraniana do caminho para o progresso que ela escolheu", disse. Entrevistado pela agência kuwaitiana, Rafsanjani disse que o "Irã colocou para funcionar a primeira unidade de 164 centrífugas, injetou gás (de urânio) e já pode ter uma produção industrial". O ex-presidente ressaltou, no entanto, que ainda será preciso expandir o funcionamento das centrífugas para que a escala industrial seja efetivamente atingida. Este é o primeiro anúncio em que o Irã diz ter conseguido o enriquecimento de urânio desde fevereiro, quando o país começou as pesquisas em suas instalações na cidade de Natanz, no centro do país. Enriquecido em baixa escala, o urânio pode ser utilizado para produzir combustível para usinas nucleares. Já o enriquecimento em alta escala pode servir para a produção de material para a construção bombas atômicas. O Irã necessitaria de milhares de centrífugas em operação para produzir urânio para os dois propósitos. Rafsanjani não revelou a quantidade de urânio que será enriquecida nas 164 centrífugas, mas disse que as operações colocarão o país em uma boa posição para a visita, no final desta semana, do diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed el-Baradei. "Quando Baradei chegar ao Irã, nós enfrentaremos outras circunstâncias", disse. Reações Em Viena, funcionários de AIEA, cujos inspetores já estão no Irã, não comentaram as declarações de Rafsanjani. Mas um diplomata próximo ao programa de enriquecimento de urânio de Teerã, que pediu anonimato, disse que a informação fornecida pelo ex-presidente parece precisa. Em Londres, a reação veio por meior de um porta-voz do ministério do Exterior inglês, que lembrou que o Irã recebeu ordens do Conselho de Segurança da ONU "para suspender completa e substancialmente todo o seu programa de enriquecimento". "A última declaração iraniana não ajudará em nada", disse, sob condição de anonimato. Em uma recente resolução, o Conselho de Segurança da ONU determinou a suspenção de todas as atividades relacionadas ao enriquecimento de urânio pelo Irã até o dia 28 de abril. Teerã rechaçou o documento, alegando ter o direito de desenvolver um programa próprio de enriquecimento de urânio. No final desta semana, Baradei tentará resolver imbróglio durante uma visita ao país. Este texto foi atualizado às 13h29

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