Irã já tem urânio para fazer bomba, diz AIEA

Relatório de inspetores de armas informa que Teerã omitiu pelo menos um terço da quantidade de material enriquecido que possui

William J. Broad e David E. Sanger, O Estadao de S.Paulo

21 de fevereiro de 2009 | 00h00

Na primeira avaliação do programa nuclear iraniano desde a posse de Barack Obama como presidente dos EUA, inspetores atômicos descobriram que o Irã possui um terço a mais de urânio enriquecido do que alegava ter. Os inspetores da ONU declararam pela primeira vez que a quantidade de urânio acumulada por Teerã - mais de uma tonelada - já seria suficiente para a fabricação de uma bomba atômica.O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) disse ter sido descoberto 209 quilos adicionais de urânio de baixo enriquecimento, uma discrepância significativa. A agência fez a descoberta durante uma revisão de produções antigas, em seu inventário anual de materiais da usina de enriquecimento de Natanz.Especialistas independentes mostraram-se surpresos com a informação e criticaram os inspetores por realizar as vistorias no Irã apenas uma vez por ano. "É alarmante que um terço da produção real total tenha sido omitido", disse o diretor do Projeto Wisconsin para o Controle do Armamento Nuclear, Garry Milhollin.Apesar de difícil de medir, o impacto político do relatório pode ser significativo para o governo Obama. O presidente americano disse que quer abrir um processo de diálogo com o Irã sobre o programa nuclear. Mas esse processo pode durar meses - e o relatório sugere que o Irã avança rapidamente."Eles já têm átomos o bastante" para fazer uma bomba nuclear, disse um funcionário da ONU que pediu para não ser identificado. Mas o mesmo funcionário reconheceu que o material precisaria passar por um enriquecimento mais sofisticado antes de poder ser utilizado como combustível para uma bomba e os inspetores não encontraram evidências de que o Irã estivesse envolvido em tais preparativos.Um funcionário do governo Obama que tinha analisado o relatório disse que "pode-se observar um cronograma estável de melhorias, especialmente em termos de eficiência das centrífugas". O funcionário reconheceu que há muito se suspeita da existência de instalações adicionais de enriquecimento de urânio, das quais os inspetores nada saberiam. "Todos demonstram nervosismo e apreensão em relação à possibilidade de o Irã ter buscado uma capacidade militar clandestina", disse ele. A Casa Branca afirmou ontem que as evidências do relatório representam um "problema urgente" ao qual é preciso responder com rapidez. "O relatório demonstra a urgência com a qual a comunidade internacional tem de se unir para responder", disse o porta-voz do governo americano, Robert Gibbs. "Esse é um problema urgente, cuja resposta não pode demorar."

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