Irã liberta 140 detidos em protestos

Líder supremo manda fechar prisão e Ahmadinejad pede libertação de outros oposicionistas presos após eleição

AP, NYT e Reuters, TEERÃ, O Estadao de S.Paulo

29 de julho de 2009 | 00h00

A uma semana da data provável para a posse do presidente reeleito iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, o governo anunciou medidas para tentar amenizar a crise provocada após a divulgação dos resultados das eleições de 12 de junho. A primeira delas foi libertar cerca de 140 pessoas detidas na prisão de Evin, em Teerã, desde os protestos pós-eleitorais. A libertação ocorreu após o líder supremo, Ali Khamenei, ter ordenado o fechamento de outro centro de detenção, o Kahrizak, onde muitos dissidentes estariam presos. No fim do dia, o próprio Ahmadinejad se manifestou sobre o assunto pela primeira vez, pedindo que o Judiciário solte os manifestantes acusados de crimes que não sejam graves. "Visto que já se passou um tempo considerável desde as prisões, esperamos que a situação de todos os acusados seja examinada rapidamente", escreveu o presidente em uma carta ao chefe do Judiciário, Mahmoud Hashemi Shahroudi. Ainda ontem, o governo revisou o número de mortos durante as manifestações de 20 para 30 pessoas.TORTURAAs medidas foram tomadas em meio a uma onda de acusações feitas especialmente por grupos de direitos humanos, que afirmam que muitos manifestantes estão sendo mortos ou torturados nas prisões, além de não contarem com qualquer tipo de assistência médica.Aparentemente, o governo passou a levar em consideração as acusações depois que Mohsen Ruholamini - filho de um assessor do ex-candidato à presidência Mohsen Rezai - morreu após ser espancado na prisão.Há cerca de três semanas, o governo anunciou que havia 500 manifestantes detidos. No entanto, as prisões prosseguiram desde então e não há uma cifra recente do total de presos. A repressão foi comandada pela polícia, pela Guarda Revolucionária e pela milícia pró-governo basij para controlar os protestos que tomaram conta de Teerã após a votação, que teria sido fraudada, segundo a oposição.O Ministério do Interior recusou ontem o pedido feito Mir Hossein Mousavi, líder da oposição, para realizar uma cerimônia amanhã, em Teerã, em homenagem aos mortos nos protestos. A data é simbólica porque marca os 40 dias de morte da jovem Neda Agha-Soltan, que se transformou no rosto das manifestações - é no 40º dia após a morte que são celebrados os rituais fúnebres importantes, segundo a tradição xiita.

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