Irã liberta francesa acusada de espionagem

Para os iranianos, Clotilde Reiss tornou-se símbolo da suposta conspiração internacional para derrubar governo

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

17 de agosto de 2009 | 00h00

A universitária francesa Clotilde Reiss, presa no Irã desde 1º de julho por suspeitas de espionagem e participação nos protestos contra a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad, foi solta ontem. A liberdade provisória foi obtida depois de longa negociação entre Paris e Teerã, com intermediação da Síria. O anúncio foi feito pelo Ministério das Relações Exteriores da França, em Paris. Em nota oficial, o chanceler Bernard Kouchner disse estar "aliviado" . "Clotilde está com boa saúde", afirmou o ministro, ressaltando o papel dos países que contribuíram para o acordo. "O resultado foi obtido graças ao apoio da presidência sueca da União Europeia, de nossos parceiros europeus e de outros países amigos", disse Kouchner. Ele não mencionou diretamente, mas o presidente da Síria, Bashar Assad, teria tido atuação decisiva para o entendimento com Teerã.A liberdade não significa, entretanto, o fim do processo contra a estudante. "Clotilde continua sob controle judiciário", disse Kouchner. "Gostaria de lembro que a França pede o fim de todos os processos para que ela volte o mais rapidamente possível para seus familiares."O acordo com Teerã foi possível graças ao pagamento de uma fiança - entre ? 400 mil e ? 600 mil. Embora confirme o pagamento de um montante, o valor exato não foi confirmado pelo governo francês. "Não foram várias centenas de milhares de euros", disse Kouchner.A liberdade provisória permitirá a Clotilde aguardar seu julgamento na Embaixada da França, onde receberá orientação jurídica. Em sua primeira audiência ela não contou com o auxílio de um advogado. Nessa sessão, Clotilde, 24 anos, e os funcionários da Embaixada da França, Nazak Afshar - libertada na semana passada - e da Grã-Bretanha, Hossein Rassan, confessaram participação nas manifestações contra o resultado das eleições iranianas, que mergulharam o país em uma crise política. As confissões teriam sido coagidas, segundo a oposição iraniana e os governos francês e britânico. No Irã, os três foram transformados em símbolos da suposta conspiração internacional para inviabilizar o segundo mandato de Ahmadinejad.

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