Irã mantém enriquecimento de urânio a um dia do prazo para cancelar atividades

Um desafiante Irã continuou a enriquecer urânio a apenas um dia do prazo final estipulado pela ONU para que Teerã congele essas atividades. Segundo uma determinação do Conselho de Segurança da ONU, o país tem até quinta-feira para cancelar essas atividades caso não queira correr o risco de enfrentar sanções impostas pelo órgão. Partindo do comportamento da República Islâmica em outras ocasiões, pode-se concluir que dificilmente o país respeitará o prazo da ONU. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Teerã continuava a enriquecer pequenas quantidades de urânio até a noite de terça-feira. A recusa do Irã em atender às demandas do Conselho de Segurança será detalhada em um relatório da AIEA que circulará entre as 35 nações que compõe a mesa diretora da agência, na quinta-feira. O texto incluirá novos detalhes sobre as pesquisas do Irã para o desenvolvimento de equipamentos avançados utilizados no enriquecimento e outros pontos, disseram diplomatas próximos à agência.O relatório, que deve ser enviado ao Conselho de Segurança, pode fazer com que os membros do Conselho considerem implementar sanções políticas e econômicas contra o país. De qualquer forma, a Rússia e a China são propensas a resistir aos esforços liderados pelos EUA, o que significa que as sanções não devem ser implementadas imediatamente. O embaixador dos EUA na ONU, John Bolton, disse na terça-feira que os EUA ainda não tinham decidido como iriam reagir após o término do prazo de 31 de agosto. No entanto, ele reiterou que Washington irá aplicar sanções se o Irã não cumprir as demandas da resolução. "Nós deixamos bem claro que as sanções serão aplicadas, ao menos que tenhamos uma aceitação inequívoca das condições da resolução do Conselho de Segurança (pelo Irã)", afirmou Bolton.Mesmo Moscou e Pequim, que mantêm laços econômicos e estratégicos com Teerã há tempos, sentem um incômodo crescente com o que os poderes mundiais consideram uma intransigência - o enriquecimento de urânio, processo que pode gerar tanto energia elétrica como armas nucleares. Em outro sinal de que o Irã pretende confrontar a comunidade internacional, um diplomata europeu disse que Teerã não respondeu a uma recente proposta da União Européia para rediscutir os termos das negociações entre o país e os membros do Conselho de Segurança.Inspetores da AIEA continuavam no Irã na quarta-feira para reunir informações para o relatório que será distribuído na quinta-feira. Embora suas descobertas mais recentes não estivessem disponíveis na tarde de quarta-feira, um funcionário do alto escalão da ONU disse que as centrífugas iranianas continuavam enriquecendo pequenas quantidades de gás de urânio na noite de quarta-feira.InsistênciaO Irã insiste que tem o direito de enriquecer o material para um futuro programa nuclear. A preocupação das potências internacionais, no entanto, é que Teerã poderia desviar a tecnologia para desenvolver ogivas atômicas.Os Estados Unidos, Rússia, China, Grã Bretanha, França e Alemanha ofereceram ao Irã no dia 1º de junho um pacote com incentivos tecnológicos e políticos para que o país congelasse suas atividades de enriquecimento. A resposta iraniana veio no dia 21 de agosto, e foi considerada inadequada por chefes de governo e diplomatas. O texto enviado aos ocidentais por Teerã não faz menção ao congelamento do enriquecimento de urânio.Texto ampliado às 17h35

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