Irã mantém tom desafiador, apesar de sanções

O Irã encerrou seus jogos de guerra no Golfo Pérsico nesta terça-feira praticamente da mesma forma como os iniciou no mês passado: com um tom de desafio militar enquanto potências ocidentais se reúnem em busca de sanções mais duras nos setores financeiro de petróleo como ferramenta contra o programa nuclear de Teerã.

AE, Agência Estado

03 de janeiro de 2012 | 18h08

A atmosfera de impasse - menos de uma semana depois de o Irã ter alertado que poderia bloquear uma das mais importantes rotas marítimas de petróleo mar do mundo em resposta às pressões econômicas - parece se aprofundar após um general iraniano sugerir que porta-aviões norte-americanos não são bem vindos no Golfo.

O Pentágono respondeu posteriormente que as embarcações manterão suas ações no local como programado. George Little, secretário de imprensa do Pentágono, disse que a Marinha dos Estados Unidos opera no Golfo de acordo com a lei internacional para manter "um constante estado de alta vigilância" e assegurar o fluxo de comércio marítimo.

Em Paris, o ministro de Relações Exteriores Alain Juppé disse que "não há dúvidas" de que o Irã está buscando a fabricação de armas nucleares e pediu que a Europa siga os Estados Unidos na imposição de sanções mais duras contra o país. Juppé disse que as medidas poderiam incluir alvos como o banco central do Irã e a imposição de embargos ao petróleo iraniano.

Caso o Ocidente deixasse de adquirir petróleo de um dos mais importantes exportadores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ainda deixaria o Irã com muitos mercados compradores como China e Índia e daria a Teerã força econômica para resistir aos Estados Unidos e seus aliados.

Mas preocupações de que as tensões no Golfo poderiam prejudicar o fornecimento de petróleo elevaram o preço do barril para acima de US$ 101 e acrescentaram mais pressão à moeda iraniana, o rial, que atingiu recordes de baixa ante o dólar nesta semana.

Ao final dos 10 dia de manobras navais, o chefe do Exército iraniano, general Ataollah Salehi, disse que um "navio de guerra norte-americano" que deixou o Golfo não devia retornar. Ele não citou uma embarcação específica, mas a 5ª Frota Naval dos Estados Unidos disse que o porta-aviões USS John C. Stennis e outro navio deixaram o Golfo pelo Estreito de Ormuz na semana passada após a vista ao porto Jebel Ali, em Dubai.

A 5ª Frota, sediada no Bahrein, é um dos principais contrapesos do Pentágono à expansão militar do Irã no Golfo Pérsico. As informações são da Associated Press.

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