Irã não negociará libertação de marinheiros, diz ministro

O Irã não pretende negociar a libertação dos 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos detidos na última sexta-feira, 23, pelos cinco iranianos presos no norte do Iraque. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 26, pelo ministro interino das Relações Exteriores a uma rede de televisão local.As imprensas britânica, saudita e israelense sugeriram, no último domingo, 25, que os iranianos poderiam tentar negociar a libertação dos marinheiros e fuzileiros navais britânicos por militares de seu país que foram presos por forças ocidentais.Nesta segunda-feira, o Ministério de Relações Exteriores assegurou ao Reino Unido que "o grupo está bem". O ministro interino Mehzi Mostafavi não deixou claro quais são os planos iranianos para os militares capturados, mas afirmou que eles serão interrogados."Queremos esclarecer se a entrada (dos marinheiros) em mares iranianos foi intencional ou não. Só depois disso poderemos tomar a decisão correta", disse Mostafavi. Ele rejeitou as declarações do Reino Unidos de que os marinheiros estavam em terras iraquianas quando foram presos, na sexta. "O Irã tem evidências o bastante para provar que as forças britânicas estavam navegando em águas iranianas", afirmou.União Européia e OtanO secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, e o chefe da diplomacia da União Européia, Javier Solana, reiteraram nesta segunda o pedido para que Teerã liberte os militares. "O Reino Unido conta com a nossa solidariedade", disse Solana.O secretário-geral da Otan afirmou que os soldados devem "ser liberados o mais rápido possível". As declarações vêm à tona um dia depois do primeiro-ministro britânico, Tony Blair, afirmar, discurso, que ?a situação (com os marinheiros) é muito séria?. Durante encontro de chefes de Estados em Berlim, na Alemanha, para comemorar os 50 anos da União Européia, Blair disse que "os iranianos deveriam entender o quanto é fundamental essa questão para o governo do Reino Unido.?Os marines britânicos foram detidos por militares em embarcações da Guarda Revolucionária iraniana, na sexta-feira, nas proximidades do Canal Shatt al-Arab. Eles participavam de uma operação de patrulha das fronteiras marítimas do Iraque e haviam acabado de inspecionar um navio mercante.O Irã há muito contesta a fronteira do Canal Shatt al-Arab e afirmou que os marinheiros a ultrapassaram "em uma agressão aberta".Em janeiro, por exemplo, seis iranianos foram capturados por militares americanos na localidade de Irbil, no Iraque. Cinco ainda estão em poder das forças da coalizão. A nova crise ocorre num momento delicado nas relações entre o Irã e a comunidade internacional. No sábado, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, uma resolução impondo sanções mais duras contra Teerã, que se recusa a interromper seu programa de enriquecimento de urânio.Da mesma forma, Ali Askari, ex-chefe de uma unidade de elite da Guarda Revolucionária iraniana, também desapareceu na Turquia, há cerca de seis semanas, e autoridades iranianas suspeitam que ele tenha sido seqüestrado por forças ocidentais para ser interrogado.Com Reuters e EfeMatéria ampliada às 10h20 para acréscimo de informações

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