Irã não permitirá que EUA questionem suspeitos da Al-Qaeda

O presidente do Irã, Mohammed Khatami, avisou que seu governo não autorizará os Estados Unidos a interrogarem supostos membros da rede extremista Al-Qaeda, que se encontram sob custódia iraniana. "Não", respondeu Khatami, secamente, ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de seu governo permitir o acesso de investigadores americanos. Ontem, em visita à Austrália, o subsecretário de Estado dos EUA Richard Armitage disse a jornalistas que agentes americanos gostariam de conversar com os membros da Al-Qaeda detidos pelo Irã. Khatami disse estar pronto para deportar supostos membros de nacionalidade saudita da Al-Qaeda para a Arábia Saudita. "Se eles são sauditas, não vemos problemas em deportá-los. Não vemos problemas em cooperar com a Arábia Saudita", explicou Khatami a jornalistas após uma reunião de gabinete. Um funcionário saudita, no entanto, reclamou, no início da semana, que o Irã não respondeu oficialmente a um pedido de extradição de sete ou oito supostos membros sauditas da Al-Qaeda. Ao todo, revelou a fonte, haveria 10 ou 15 suspeitos sauditas detidos no Irã. Entre eles, estaria Saad bin Laden, filho de Osama bin Laden, o milionário saudita no exílio que lidera a Al-Qaeda. Tanto um quanto outro tiveram revogada a cidadania saudita. Na segunda-feira, Hamid Reza Asefi, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, comentou que seu país pretende julgar os supostos membros da Al-Qaeda cujas nacionalidades são incertas, no caso de nenhum país reivindicar a deportação. Asefi esclareceu que seu país quer julgar os membros da Al-Qaeda suspeitos de crimes cometidos dentro do Irã. Ele não forneceu mais nenhum detalhe.

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