Reprodução/via Reuters
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Irã nega estar por trás de ataques contra refinaria na Arábia Saudita

O Ministério de Relações Exteriores iraniano disse que as declarações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, são 'mentiras sem sentido'

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de setembro de 2019 | 16h06

DUBAI - O Irã negou neste domingo, 15, as acusações dos Estados Unidos de que estaria por trás dos ataques com drones contra as principais instalações de petróleo da Arábia Saudita. O ataque, ocorrido no sábado, 14, ameaça cortar pela metade a produção do reino e afetar o fornecimento de petróleo mundial. Rebeldes houthi do Iêmen, apoiados pelo Irã, assumiram a responsabilidade pelos atentados. 

O Ministério de Relações Exteriores iraniano disse que as declarações do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, são "mentiras sem sentido". “Essas palavras parecem fruto de um complô organizado por serviços secretos para manchar a imagem de um país e preparar o caminho para ações futuras”, afirmou o porta-voz do ministério, Abbas Musavi. 

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques. O chefe da diplomacia de Donald Trump descartou o envolvimento do Iêmen e disse que Teerã apenas finge buscar uma negociação diplomática. "Teerã está por trás de quase 100 ataques à Arábia Saudita, enquanto o [Presidente Hassan] Rouhani e o [ministro das Relações Exteriores Javad] Zarif fingem se envolver na diplomacia", disse Pompeo em um post no Twitter. "Em meio a todos os pedidos de redução de escala, o Irã agora lançou um ataque sem precedentes ao suprimento de energia do mundo". 

O grupo rebelde Houthis, do Iêmen, aliado ao governo do Irã, reivindicou mais tarde a autoria do ataque, informando que dez drones atingiram as instalações. Já havia a suspeita de que o grupo seria o responsável.O ataque provavelmente aumentará as tensões em todo o Golfo Pérsico, em meio a um confronto entre os EUA e o Irã por causa de seu acordo nuclear com as potências mundiais.

Khurais fica a mais de 800 km de distância do território rebelde no Iêmen dominado pelos Houthis, o que mostra a habilidade do grupo em ordenar ataques sofisticados a longa distância em território saudita.

Os ataques com drones não apenas expuseram a vulnerabilidade saudita na guerra do reino contra os houthis, mas aumentaram as chances de outros grupos apoiados pelo Irã usarem técnicas semelhantes em outras partes do Oriente Médio, inclusive contra alvos americanos, segundo especialistas.

“Isso eleva a guerra na região a um outro nível”, disse Farea Al-Muslimi, co-fundador do Sanaa Center for Strategies Studies, um grupo de pesquisas voltado para o Iemên. Sobre o ataque de drones, ele disse que "a capacidade de causar danos é muito alta, com um custo muito baixo".

Ainda não está claro o quanto as instalações foram danificadas, mas uma paralisação por mais de alguns dias prejudicaria a oferta mundial de petróleo. Os dois centros podem processar 8,45 milhões de barris de petróleo por dia, totalizando a grande maioria da produção da Arábia Saudita, que produz quase um décimo do petróleo mundial.

Encontro entre Trump e Rouhani

A Casa Branca não descartou, neste domingo, 15, a possibilidade de um encontro entre o presidente Donald Trump e o líder iraniano Hassan Rouhani, mesmo depois de Washington acusar o Irã de estar por trás dos ataques de drones a petrolíferas da Arábia Saudita.

Kellyanne Conway, conselheira da Casa Branca, afirmou que os ataques de sábado, 14, "não ajudavam" a perspectiva de uma reunião entre os dois chefes de Estado durante a Assembleia Geral da ONU, neste mês, mas deixou a possibilidade em aberto. "Vou deixar o presidente [Trump] anunciar um encontro ou não", Conway disse à rede de televisão Fox News.

Apoiados pelo Irã e há cinco anos em confronto com a coalizão militar da Arábia Saudita, os rebeldes houthis xiitas do Iêmen assumiram a autoria dos ataques contra instalações da gigante estatal Aramco no sábado. Primeiro exportador mundial de petróleo, a Arábia tenta restabelecer o nível normal de produção de cru, que foi duramente afetada./ AFP, AP e REUTERS

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