Makl Langsdon/Reuters
Makl Langsdon/Reuters

Irã nega que pena de Sakineh tenha sido decidida

Governo desmente declaração feita por procurador-geral na segunda-feira de que a iraniana será morta por enforcamento pelo assassinato do marido

Andrei Netto CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

O governo do Irã anunciou ontem, em Teerã, que o destino de Sakineh Ashtiani, acusada de adultério e do assassinato de seu marido em 2006, ainda não está selado. A informação lançou mais incertezas sobre o caso por contradizer o parecer do procurador, Gholam Hussein Mohseni Ejei, que havia revelado à imprensa na segunda-feira a substituição da pena de morte por apedrejamento pela de enforcamento.

O desmentido sobre a suposta condenação a enforcamento foi feita pelo porta-voz da chancelaria iraniana, Ramin Mehmanparast. Segundo ele, a palavra final da Justiça deverá ser conhecida nas próximas semanas.

Apesar de afirmar que a sentença final ainda é desconhecida, Mehmanparast disse que o suposto envolvimento de Sakineh no assassinato de seu marido "já está provado". Pela lei iraniana a acusação de assassinato, cuja pena é a morte pela forca, é mais grave que a de adultério, punido com o apedrejamento até a morte.

A declaração confirma em parte o parecer do procurador-geral iraniano. Na segunda-feira, o magistrado havia afirmado que Sakineh já tinha sido condenada pelos dois crimes e a sentença à morte por enforcamento também estava definida.

Na Europa, onde a campanha pela libertação da iraniana é mais forte, as informações contraditórias sobre o veredicto provocaram novas reações de repúdio. Em Paris, Amin Arefi, coordenador da campanha pela libertação de Sakineh, interpretou os anúncios como uma vitória parcial pela sobrevivência da iraniana. "Um mês após o início de uma mobilização sem precedentes na França para salvar Sakineh, as autoridades iranianas parecem pela primeira vez recuar e a se contradizer", afirmou.

Segundo o militante, os filhos da condenada - com quem mantém contato diário - seguem mobilizados, tentando provar à Justiça de Teerã que mãe foi inocentada em setembro de 2006 da acusação de assassinato. Segundo Sajjad Ghaderzadeh, um dos dois filhos de Sakineh, o caso foi reaberto e estaria sendo manipulado pelas autoridades iranianas. A família denuncia que a mãe foi vítima de tortura antes de admitir seus crimes na TV.

O chanceler brasileiro, Celso Amorim, confirmou ontem em Nova York, após encontro com seu colega iraniano, Manoucheuhr Mottaki, que a pena de Sakineh ainda não foi definida. "Ele (Mottaki) me disse que o caso ainda não foi finalizado. Ainda há várias instâncias. Sei que a hipótese do apedrejamento está superada, mas não discutimos o método", disse Amorim. / COLABOROU GUSTAVO CHACRA

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