Irã nega ter programa nuclear clandestino

O Irã repudiou acusações dos Estados Unidos, de que esteja desenvolvendo um programa nuclear clandestino, e afirmou que todas suas usinas nucleares estão abertas à inspeção internacional. "Não temos atividade nuclear, nem estudos que não sejam do conhecimento da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea)", garantiu o porta-voz do governo, Abdollah Ramezanzadeh. "Todas nossas instalações nucleares são para fins pacíficos e abertas às inspeções da Aiea". Na quinta-feira, autoridades dos EUA endossaram acusações feitas por um grupo oposicionista armado iraniano, de que duas usinas nucleares em construção, na região central do Irã, podem ser usadas para um programa clandestino de desenvolvimento de armas atômicas. Oficiais de inteligência dos EUA não acreditam que o Irã já tenha produzido armas nucleares. Em Viena, o diretor da Aiea, Mohammed El Baradei, disse a repórteres que tinha conhecimento da construção no Irã. "Isso não é uma surpresa para nós", afirmou ele numa entrevista coletiva, acrescentando que vinha conversando com os iranianos sobre as instalações há seis meses. Entretanto, ele criticou os iranianos por não terem revelado os projetos anteriormente. "Teria sido melhor se tívéssemos sido informados mais cedo da decisão de construir essas instalações", considerou. El Baradei confirmou que tem programada uma visita ao Irã no começo do ano que vem. A vistia estava planejada originalmente para este mês, mas foi adiada a pedido de Teerã. Ele disse que sua visita tem como objetivo confirmar que as instalações são parte do "ciclo de combustível civil", e não para fazer armas nucleares. A porta-voz da Aiea, Melissa Fleming, afirmou que El Baradei será acompanhado por uma equipe de técnicos. "Pedimos para visitar essas instalações e o Irã indicou que permitirá tal visita". Em agosto, o Conselho Nacional de Resistência do Irã, um aglomerado de grupos políticos da frente armada Mujahedeen Khalq, baseada no Iraque, acusou que, uma vez completadas, as duas instalações trabalhariam na produção de combustível nuclear: um laboratório de pesquisa em Natanz e uma instalação de produção de água pesada em Arak, ambos no Irã central. A usina de Natanz também pode incluir uma instalação de enriquecimento de urânio, afirmaram funcionários americanos. Uma usina de água pesada em Arak faria parte de um programa de plutônio. Para os funcionários dos EUA, a falta de material físsil por parte do Irã - tanto urânio enriquecido quanto plutônio - continua sendo seu maior obstáculo para objetivos nucleares. Autoridades americanas acusaram o Irã de não ter declarado as duas instalações para monitores internacionais. "A Aiea está consciente de todas nossas atividades nucleares. Natanz não está no subsolo. A Aiea é bem-vinda a visitar o local", convidou Ramezanzadeh. O Mujahedeen Khalq busca derrubar o governo do Irã, e dispõe de várias bases guerrilheiras no Iraque. Funcionários da Aiea disseram hoje estar preocupados sobre planos do Irã de construir uma segunda grande usina nuclear. O Conselho de Energia Atômica do Irã ordenou um estudo sobre a viabilidade de uma segunda usina nuclear, no momento em que a primeira, construída com a ajuda da Rússia em Bushehr, deve entrar em operação no ano que vem, informou a tevê iraniana. A Rússia e o Irã insistem que a usina tem apenas fins civis e estará aberta a inspeções internacionais, mas os EUA afirmam que a instalação em Bushehr poderá ajudar a avançar o suposto programa nuclear iraniano. Não ficou claro se a Rússia estará envolvida na construção da nova usina.

Agencia Estado,

13 Dezembro 2002 | 14h50

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