Irã negociará se EUA mudarem temperamento, diz presidente

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, assegurou nesta terça-feira (14) que seu país negociará com os Estados Unidos se o governo americano se comportar melhor. Com a declaração, o presidente é a mais alta autoridade iraniana a declarar nos últimos meses disposição de negociar com um país rotineiramente rotulado pela república islâmica como o "Grande Satã". "Estamos em busca de uma interação positiva com o mundo todo, com exceção de um país que não reconhecemos", prosseguiu Ahmadinejad, durante entrevista coletiva concedida em Teerã. O governo iraniano não reconhece o direito de existência de Israel. "Nós não conversaremos com o regime sionista porque se trata de uma entidade ilegítima e usurpadora. Mas dialogaremos com o governo americano mediante certas condições. Se os Estados Unidos corrigirem seu comportamento, conversaremos com eles", declarou. Ahmadinejad não especificou nenhuma outra condição para a abertura de um eventual canal de diálogo com os Estados Unidos. Ao mesmo tempo, ele acusou o governo do presidente americano, George W. Bush, de conduzir uma política externa baseada na agressão, na opressão, no unilateralismo e no desrespeito às outras nações. O presidente iraniano também não entrou em detalhes sobre qual seria o foco de um eventual diálogo entre Teerã e Washington nem disse se o Iraque e o programa nuclear da república islâmica estariam na pauta. Outras ocasiões Antes das declarações desta terça-feira, o Irã já havia proposto o diálogo aos EUA em duas ocasiões este ano. Na primeira, em março, Teerã retirou a oferta algumas semanas depois, acusando os EUA de tentarem tirar proveito da possibilidade de negociação. Na segunda oferta, feita no último dia 5, analistas consideraram que o Irã estaria preocupado com a violência no Iraque e com a iniciativa americana de buscar sanções contra Teerã por causa de seu polêmico programa nuclear. Em março, o governo americano aceitou a oferta, mas queria limitar a pauta à situação no Iraque. Nesta terça, Bush manifestou o desejo de negociar com a União Européia (UE), a Rússia e a China "uma forma de fazer progredir" os contatos. Em conversa com jornalistas na Casa Branca, Bush repetiu a condição de que, para negociar, o Irã deve primeiro suspender de forma verificável seu programa de enriquecimento de urânio. O enriquecimento de urânio é um processo essencial para a geração de combustível usado no funcionamento das usinas nucleares. Em grande escala, o urânio enriquecido pode ser usado para carregar ogivas atômicas. Os EUA e outras potências ocidentais acusam o Irã de desenvolver em segredo um programa nuclear bélico. O governo iraniano nega e assegura que suas usinas atômicas têm fins estritamente pacíficos de geração de energia elétrica.

Agencia Estado,

14 Novembro 2006 | 16h48

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