Irã, Paquistão e Índia defendem transição liderada pelo povo afegão

Na cúpula sobre o futuro do Afeganistão, Karzai anuncioa medidas que dão mais autonomia ao país

Efe

20 de julho de 2010 | 13h32

CABUL - Representantes do Irã, do Paquistão e da Índia defenderam uma transição liderada pelos afegãos durante a Conferência de Cabul, que aconteceu nesta terça-feira, 20, na capital do Afeganistão.

 

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"A resolução da crise do Afeganistão não é militar. É preciso confiar no povo afegão e transmitir-lhe responsabilidade. O Irã apoia a 'afeganização'", afirmou o ministro de Assuntos Exteriores iraniano, Manouchehr Mottaki.

 

O Irã é o país mais abertamente crítico à presença de tropas internacionais no Afeganistão. Mottaki chamou de "inaceitável" o fato de que, apesar da presença de milhares de soldados estrangeiros, "o cultivo de drogas cresça".

 

O enviado da ONU no Afeganistão, Staffan de Mistura, tentou fazer com que o iraniano concluísse seu discurso, com a desculpa de que tinha estourado seu tempo, justo quando Mottaki começou a criticar os países ocidentais.

 

Menos críticos à presença internacional, os ministros de Assuntos Exteriores da Índia, S.M. Krishna, e do Paquistão, Shah Mahmoud Qureshi, disseram confiar na capacidade das forças de segurança afegãs. Índia e Paquistão travam entre si uma ferrenha rivalidade para ganhar influência na política do país asiático.

 

Segundo Krishna, que destacou a ajuda indiana ao Afeganistão e pediu um país democrático, pluralista e "livre de interferência externa", os esforços pela paz na região devem ser liderados pelos afegãos e incluir toda a população. "A estabilidade e o desenvolvimento econômico afegão dependem muito de seus vizinhos e da região como um todo", afirmou Krishna.

 

Para Qureshi, os países da região "devem prometer que não interferirão nos assuntos internos do Afeganistão". Segundo o ministro paquistanês, o governo de seu país está "pronto" para ajudar o afegão na busca de uma "reconciliação".

 

Qureshi também falou dos programas de ajuda do Paquistão no Afeganistão e fez menção especial ao Acordo de Comércio e Trânsito do Paquistão e Afeganistão, assinado neste domingo, que classificou como "histórico".

 

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, elogiaram o acordo, que permitirá ao Paquistão chegar aos mercados da Ásia Central pelo Afeganistão. O Afeganistão, por sua vez, poderá usar o território do Paquistão para levar suas exportações até a Índia, mas não será permitida a passagem de exportações indianas para terras afegãs.

 

A Conferência de Cabul reuniu delegados de 70 países e organizações internacionais, o que levou as autoridades a declarar feriado em dois dias e montar um forte esquema de segurança.

 

Apesar do medo de um possível grande ataque dos Talebans, até agora só se tem notícia de uma forte explosão supostamente acidental na parte norte da cidade, longe da região da conferência. Além disso, os insurgentes lançaram projéteis contra o aeroporto de Cabul na última madrugada, mas não houve vítimas, em um ataque reivindicado pelo porta-voz insurgente Zabiullah Mujahid.

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