Gregorio Borgia/ Reuters
Gregorio Borgia/ Reuters

Irã parou enriquecimento de urânio que preocupa potências, diz deputado

Medida é uma das demandas para negociação, mas não foi confirmada pela ONU e pelo governo

O Estado de S. Paulo,

24 de outubro de 2013 | 10h30

TEERÃ - O parlamentar iraniano Hossein Naqavi Hosseini, um dos principais membros da comissão de Segurança Nacional do Congresso persa, disse nesta quinta-feira, 24, que o país interrompeu a parte mais controvertida de seu programa nuclear: o enriquecimento de urânio a 20%. Usado para alimentar reatores que produzem isótopos para tratamentos médicos, esse processo é visto com ressalva pelo Ocidente por estar muito próximo, tecnicamente falando, do enriquecimento a 90%, destinado à produção de armas nucleares.

Segundo Hosseini, o Irã parou o enriquecimento a 20% porque já teria todo o material físsil necessário para seu reator de pesquisas médicas em Teerã e por isso retornaria ao enriquecimento de 5%, utilizado para produção de energia elétrica.

"O enriquecimento acima de 5% usado e instalações civis depende das necessidades do país. O reator de Teerã já tem o combustível necessário para o momento atual e não há necessidade de produção extra", disse o parlamentar. "Teerã decidirá se terá ou não de voltar a enriquecer urânio acima de 5%, mas a questão de suspender ou parar o enriquecimento a 20% é insignificante porque não há produção ocorrendo no momento."

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), que monitora o programa nuclear iraniano, ainda não confirmou a interrupção do enriquecimento a 20%. Inspetores da entidade visitam semanalmente instalações atômicas persas, mas diplomatas com base em Viena disseram à agência Reuters não ter conhecimento dessa medida revelada pelo deputado.

Deputados iranianos já deram, no passado, declarações sobre o programa nuclear do país que foram desmentidas posteriormente pelo governo. A Comissão de Segurança Nacional do Parlamento é regularmente atualizada sobre o programa nuclear, mas não se envolve nas decisões sobre o projeto, que são todas tomadas pelo líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei.

A interrupção do enriquecimento a 20% é uma das demandas do grupo 5 +1, composto por EUA, Grã-Bretanha, França, Alemanha, Rússia e China, sobre o controvertido programa nuclear do país. Na semana passada, as duas partes retomaram em Genebra, na Suíça, as negociações. O Irã ofereceu inspeções-surpresa a suas instalações atômicas em troca do fim de algumas das pesadas sanções econômicas impostas ao país. Também na semana passada, foi revelado que os EUA estudam retirar o congelamento a ativos de figuras do regime.

A reaproximação entre o Irã e o Ocidente ocorreu após a eleição do presidente Hassan Rohani, em junho. O líder moderado conta com o apoio da teocracia xiita, dominada pelo aiatolá Khamenei, para tentar reverter as sanções. Durante a sessão de debates da Assembleia-Geral da ONU, em setembro, Rohani e o presidente americano, Barack Obama, conversaram por telefone, fato inédito entre líderes dos dois países desde a Revolução Islâmica de 1979.

Discordância. Em Israel, que teme o programa nuclear iraniano e o considera uma ameaça existencial, o ministro de Relações Estratégicas Yuval Steinitz disse hoje haver "pequenas discrepâncias" entre o país e os EUA em relação ao projeto atômico iraniano. "De forma geral, concordamos com eles sobre o objetivo final, que é impedir o Irã de ter armas nucleares, pode haver pequenas discrepâncias sobre os meios de conseguir isso", disse o ministro.

O premiê Binyamin Netanyahu acusa Rohani de ser um "lobo em pele de cordeiro" que busca apenas tempo para que o Irã possa desenvolver armas nucleares e é contra o fim das sanções. / REUTERS e AP

Interseção:  Negociação nuclear mostra importante mudança na postura do Irã

 

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