Irã pede à ONU que execute seu plano de paz para o Iêmen

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammad Javad Zarif, apresentou nesta sexta-feira uma carta ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, delineando um plano de paz de quatro pontos para o Iêmen, onde rebeldes houthis, que seriam apoiados pelos iranianos, têm sido alvo de ataques aéreos liderados pela Arábia Saudita.

REUTERS

17 de abril de 2015 | 17h03

O plano, que Zarif anunciou no Paquistão no início do mês, pede um cessar-fogo imediato e o fim de todos os ataques militares estrangeiros, assistência humanitária, a retomada de um diálogo nacional amplo e o "estabelecimento de um governo de unidade nacional".

"É imperativo que a comunidade internacional se envolva mais eficazmente para acabar com os ataques aéreos sem sentido e estabelecer um cessar-fogo, assegurando a entrega de ajuda humanitária e médica para o povo do Iêmen, e restaurar a paz e a estabilidade a este país por meio do diálogo e da reconciliação nacional sem pré-condições", diz a carta de Zarif, obtida pela Reuters.

Diplomatas ocidentais e árabes em Nova York têm demonstrado pouco interesse no plano iraniano, alegando que não consideram o Irã um ator neutro no Iêmen.

Estados árabes têm bombardeado os houthis em apoio às milícias que resistem a um avanço do grupo. O conflito, embora enraizado em rivalidades locais, tornou-se um campo de batalha indireto entre a sunita Arábia Saudita e o xiita Irã, as principais potências regionais.

O Irã advertiu que a instabilidade está permitindo que grupos terroristas ganhem uma posição no Iêmen.

"Esta situação crítica está se intensificando e a crise humana no Iêmen está se aproximando de dimensões catastróficas", diz a carta de Zarif.

"Isso pode resultar em mais exacerbação das circunstâncias já tensas em uma região que tem sido atormentada por um dos tipos mais bárbaros de extremismo e uma virulenta campanha multifacetada apoiada por terroristas estrangeiros", disse.

O Iêmen é reduto da Al-Qaeda na Península Arábica, um dos ramos mais letais do grupo responsável pelo 11 de Setembro, abriga militantes em regiões tribais e há anos é bombardeado por aviões não tripulados (drones) dos Estados Unidos.

Um grupo tribal de ex-militantes da Al-Qaeda assumiu o controle de um importante terminal de petróleo no sul do Iêmen depois que as forças militares que protegiam a instalação se retiraram do local nos últimos dias.

A ONU disse que cerca de 150 mil pessoas foram expulsas de suas casas durante as três semanas de ataques aéreos e combates terrestres, que deixaram mais de 750 mortos.

(Reportagem de Louis Charbonneau)

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