Irã pede que ONU analise proibição de visto dos EUA para embaixador

O Irã pediu nesta segunda-feira uma reunião especial de uma comissão da Organização das Nações Unidas sobre a recusa dos Estados Unidos em conceder um visto para o embaixador nomeado pelo governo iraniano para a ONU, mas, até agora, o país se absteve de requerer qualquer ação específica, disse o presidente da comissão.

MICHELLE NICHOLS, Reuters

14 de abril de 2014 | 21h21

Os Estados Unidos disseram na sexta-feira que não vão conceder um visto para Hamid Abutalebi por causa de suas ligações com a crise dos reféns em Teerã, em 1979-1981, quando estudantes iranianos radicais tomaram a Embaixada dos EUA e mantiveram 52 norte-americanos reféns por 444 dias. Abutalebi afirmou que na ocasião atuou apenas como intérprete.

O Irã pediu uma reunião da Comissão da ONU sobre Relações com o País Anfitrião, disse o embaixador de Chipre na ONU, Nicholas Emiliou, que preside o grupo de 19 membros que lida com questões como vistos, imigração e segurança.

"Eles especificaram que não vão solicitar qualquer ação por parte da comissão. Eles simplesmente querem nos informar, por enquanto, pelo menos", disse Emiliou, acrescentando que o grupo provavelmente se reunirá na próxima semana.

Autoridades, diplomatas e acadêmicos não se lembram de casos passados ??em que os Estados Unidos tenham negado visto a um embaixador da ONU, que tem sua sede em Nova York.

Segundo a agência estatal de notícias iraniana Irna, a porta-voz do ministério das Relações Exteriores iraniano, Marzieh Afkham, disse na manhã desta segunda-feira: "Os mecanismos oficiais para acompanhar a queixa foram ativados e vamos acompanhar o caso".

O presidente dos EUA, Barack Obama, estava sob forte pressão para não permitir que Abutalebi assumisse o cargo na ONU. Ex-reféns levantaram objeções a Abutalebi e o Congresso, normalmente dividido, aprovou uma lei banindo o político do país.

A Casa Branca ainda está analisando a legislação, a qual impediria a entrada de qualquer representante da ONU considerado envolvido em atos de terrorismo ou espionagem contra os Estados Unidos. Só falta o aval de Obama para que se torne lei.

O Irã se mantém firme na escolha de seu embaixador na ONU, descrevendo Abutalebi como um diplomata experiente. Ele serviu como embaixador na Itália, Bélgica e Austrália e não é conhecido como um linha-dura ou por ter ferrenhamente visões antiocidentais.

O Irã anunciou no sábado que iria tomar medidas contra Washington na ONU.

Com base em um acordo para sediar a ONU, de 1947, geralmente se pede aos Estados Unidos que permitam o acesso de diplomatas estrangeiros à ONU. Mas Washington diz que pode negar vistos para diplomatas por razões de "segurança , terrorismo e política externa".

A Resolução Conjunta do Congresso de 1947 afirma que nada deve ser considerado como algo que "diminua, cerceie ou enfraqueça o direito dos Estados Unidos de salvaguardar a sua segurança e controlar completamente a entrada de estrangeiros "em qualquer parte dos Estados Unidos, com exceção da sede da ONU".

(Reportagem adicional de Michelle Moghtader, em Dubai)

Tudo o que sabemos sobre:
ONUIRAVISTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.