Irã perde acesso a transações internacionais

O Irã será submetido a mais uma punição sobre suas operações financeiras. A pedido da União Europeia, o sistema Swift - que realiza pagamentos bancários transnacionais - excluirá a partir de sábado as instituições iranianas sancionadas pelo bloco e pelos EUA.

TEERÃ , O Estado de S.Paulo

16 de março de 2012 | 03h07

Na prática, a medida afasta bancos e empresas ligados ao regime do sistema financeiro internacional. Ficará mais difícil para o Irã obter cartas de crédito e transferir fundos por meio de instituições financeiras estrangeiras.

Em outros sinais de que o cerco a Teerã em razão de seu programa nuclear está apertando, casas de câmbio que atuam no Golfo Pérsico anunciaram ontem que deixarão de negociar com a moeda iraniana, o rial. Além disso, a agência Reuters informou que o Irã está estocando 360 mil toneladas de trigo para amenizar o efeito das sanções sobre o consumo interno de alimentos.

Em 2010, 19 bancos e 25 instituições financeiras iranianas realizaram 2 milhões de pagamentos por meio do Swift. Nessa lista estão entidades acusadas pelos EUA de financiar o programa nuclear, como os bancos Mellat, Post, Saderat e Sepah.

"A UE obrigou o Swift a agir", disse o presidente executivo da entidade, Lázaro Campos. "Desconectar bancos é um passo inédito para o Swift e resultado da pressão internacional para intensificar as sanções financeiras ao regime."

Desde o ano passado, o governo americano aperta o cerco financeiro ao Irã, com o auxílio da legislação contra lavagem de dinheiro para impedir bancos ocidentais de negociar com empresas ligadas ao regime. Com as sanções, Teerã deve recorrer a bancos chineses, que não utilizam o código Swift.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, elogiou a decisão. "A decisão do Swift de excluir instituições financeiras iranianas de seu catálogo de clientes é bem-vinda", escreveu o premiê no microblog Twitter. Para o presidente americano, Barack Obama, a probabilidade de resolver a questão diplomaticamente está diminuindo.

Nos últimos meses, tem crescido o temor de que Israel possa lançar um ataque - com ou sem a anuência americana - contra o país persa. / REUTERS e EFE

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