Irã permitirá visita a militares britânicos após investigação

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores iraniano, Mohamad Ali Hosseini, disse nesta terça-feira, 27, que diplomatas do Reino Unido poderão visitar os 15 marinheiros e fuzileiros navais britânicos detidos no Golfo Pérsico assim que eles forem interrogados."Assim que as investigações preliminares terminarem, os contatos da embaixada e do consulado britânico com os soldados será possível, disse Hosseini. O embaixador britânico em Teerã encontrou-se com funcionários iranianos nesta semana em uma tentativa de conseguir a libertação dos militares detidos na última sexta-feira, 23. Ele também pediu para ter acesso aos militares. O Irã, no entanto, recusou-se a revelar a localização dos soldados, mas garantiu que eles estão bem.Os 15 marinheiros e fuzileiros navais foram detidos por forças iranianas no Golfo Pérsico, acusados de entrar nas águas do Irã. O governo do Reino Unido nega a acusação, e alega que os militares estavam em uma operação de rotina em águas iraquianas quando foram abordados.Também nesta terça-feira, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, alertou que se a diplomacia fracassar, os esforços para conseguir a libertação dos militares podem passar para uma "fase diferente". A posição iraniana, entretanto, continua desafiadora. Segundo a agência oficial iraniana de notícias Irna, Hosseini teria dito que "o caso dos militares britânicos será resolvido respeitando as normas internacionais"."Eles entraram ilegalmente nas águas territoriais da República Islâmica do Irã e estão sendo seguidas as normas legais e jurídicas freqüentes nestes casos", reiterou o porta-voz do ministério.Fase diferenteEm entrevista a rede GMTV, Blair afirmou que manterá as pressões diplomáticas enquanto houver espaço. "No momento tentamos manter os canais diplomáticos e fazer o governo iraniano entender que eles (os militares) têm que ser liberados, e que não há justificativa alguma para que continuem detidos. Mas, se não funcionar, então teremos que passar para uma fase diferente."Perguntado sobre o significado da expressão "fase diferente", o primeiro-ministro respondeu que "será preciso ver, mas os iranianos devem entender que não podemos admitir uma situação na qual nossos homens e mulheres, que estavam patrulhando águas iraquianas sob um mandato da ONU, são de repente capturados e levados para o Irã".Mais tarde, um porta-voz do premier explicou que as palavras de Blair não significam que diplomatas iranianos serão expulsos do Reino Unido ou que uma ação militar está para ser adotada. Pressão Segundo analistas ouvidos pela CNN, a entrada em uma "fase diferente" pode significar que o governo britânico deixará de tratar o diálogo em nível privado para passar a tratá-lo na esfera público. Isso pode significar a adoção de novas ações da ONU contra Teerã, uma vez que o Reino Unido acredita ter como provar que os militares foram presos em águas iraquianas.Mais cedo nesta terça-feira, o governo do Irã informou que os 15 detidos estão com saúde e são tratados com humanidade."Eles estão completamente bem de saúde. Asseguramos que os marinheiros são tratados com humanidade e respeito", disse o Hosseini. O porta-voz acrescentou que Faye Turney, a única mulher do grupo, tem privacidade. Uma foto de arquivo da mulher, datada de 2000, foi divulgada por autoridades britânicas nesta terça-feira.Manobras no GolfoEm meio às crescentes tensões, a Marinha dos Estados Unidos iniciou nesta terça-feira uma série de exercícios militares no Golfo, sua maior demonstração de força desde a invasão do Iraque em 2003.Embora os militares americanos neguem, analistas vêem as manobras - realizadas próximo à linha costeira iraniana - como uma tentativa de intimidar o regime dos aiatolás. Desde o início do ano, os EUA vêm acusando o Irã de patrocinar grupos insurgentes no Iraque. Dois porta-aviões americanos estão estacionados na região do Golfo.

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