'Irã perto de sofrer ataque', diz Peres

Presidente de Israel afirma que ofensiva é hipótese mais provável do que a diplomacia para resolver impasse sobre programa nuclear

JERUSALÉM, AP e REUTERS, O Estado de S.Paulo

05 de novembro de 2011 | 03h05

O presidente de Israel, Shimon Peres, disse ontem que a comunidade internacional "está mais perto de chegar a uma solução militar para o impasse sobre o programa nuclear do Irã do que diplomática". Num tom de ameaça incomum para o presidente e Nobel da Paz, a declaração, feita a um canal de TV israelense, foi recebida com surpresa.

Peres disse que os líderes mundiais deveriam "cumprir as promessas" de conter o Irã "a qualquer custo". "Há um longo menu (de opções) sobre o que pode ser feito", disse.

Na quarta-feira, a agência Associated Press divulgou que o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, tenta persuadir seu gabinete a usar a força militar para tentar conter o programa nuclear iraniano. No dia seguinte, o jornal britânico The Guardian noticiou que Londres se prepara para enviar navios de guerra ao Golfo Pérsico para dar apoio a uma ofensiva contra Teerã.

Israel, EUA e Grã-Bretanha, entre outros países, suspeitam que o objetivo do Irã é desenvolver a bomba atômica. Mas os aiatolás negam e asseguram que o programa nuclear iraniano é pacífico e busca produzir energia. Negociações diplomáticas e sanções econômicas aplicadas contra o país não foram suficientes para persuadir Teerã a abrir mão de suas ambições atômicas.

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy disse que a "obsessão" do Irã em obter material nuclear fere as leis internacionais. Questionado sobre uma possível intervenção militar no país, Sarkozy reiterou que a comunidade internacional deve manter foco nas sanções, mas acrescentou que, se houver uma ameaça à existência de Israel, "a França não ficará de braços cruzados".

Em uma clara provocação, o principal negociador da questão nuclear de Teerã, Saeed Jalili, declarou ontem que pretende denunciar os EUA na ONU por "ações terroristas" contra o Irã - como o assassinato de cientistas nucleares iranianos.

Segundo Jalili, o Ministério das Relações Exteriores apresentará ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, documentos que comprovariam as acusações.

"Os EUA estão empregando o terrorismo para promover seus objetivos", disse Jalili, em um comício em Teerã. Ele citou a morte de três cientistas nucleares iranianos, que foram baleados. "Nós vamos processar os EUA."

Poder. O comitê de eleições do Irã baniu três partidos reformistas das eleições parlamentares, agendadas para março. Dois deles foram proscritos após protestos contra o resultado das eleições de 2009, que garantiu um segundo mandato ao presidente Mahmoud Ahmadinejad.

"O ministro do Interior considera tais partidos dissolvidos e, com suas licenças revogadas, eles não têm permissão para participar das próximas eleições", disse ontem o chefe do comitê eleitoral, Soulat Mortazavi. Os partidos são: Frente de Participação Islâmica, Organização Revolução Islâmica Mujaheddin e o Movimento Livre do Irã. /

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