Irã planeja enviar US$ 5,8 bilhões em ajuda a Damasco

Segundo jornal francês, aiatolá Khamenei apoia ideia; 20 manifestantes morreram em amplo[br]protesto anti-Assad

, O Estado de S.Paulo

16 de julho de 2011 | 00h00

BEIRUTE

O Irã estuda enviar uma ajuda financeira de US$ 5,8 bilhões à Síria, publicou ontem o diário econômico francês Les Echos. Segundo um centro de estudos iraniano ligado ao regime, o aiatolá Ali Khamenei, apoia a ajuda a Damasco, o principal aliado de Teerã no Oriente Médio. Na Síria, 20 dissidentes morreram em confronto com a polícia durante novos protestos.

Do total da verba, US$ 1,5 bilhão seria liberado em um empréstimo de três meses. O dinheiro ajudaria a controlar as fronteiras do país. Milhares de refugiados têm deixado o país rumo ao Líbano e à Turquia nos últimos meses. Ainda segundo o Les Echos, o Irã pode fornecer 290 mil barris de petróleo por dia para a Síria durante o próximo mês.

Membros do regime de Bashar Assad e algumas empresas e bancos ligados a ele foram submetidos a sanções pela comunidade internacional. Nos bastidores, a França e os EUA dizem que isso é pouco e defendem punições mais duras. Os dois países, que tiveram suas representações diplomáticas em Damasco atacadas esta semana, tentaram aprovar resolução para condenar o regime no Conselho de Segurança da ONU, mas não obtiveram apoio.

Repressão. A sexta-feira, dia de preces islâmicas, foi mais uma vez marcada pela violência das forças de segurança de Assad. De acordo com a oposição, ao menos 20 dissidentes morreram e 100 ficaram feridos. Centenas de milhares de pessoas foram às ruas protestar contra o regime. "Foram as maiores manifestações até agora", disse o diretor do Observatório Sírio de Direitos Humanos, Rami Abdelrahman. "Com mais pessoas protestando em Damasco, o governo passará a ser desafiado sucessivamente."

Segundo os dissidentes, a polícia usou armas e bombas de gás lacrimogêneo contra a multidão. Em Damasco e em algumas cidades próximas, ao menos 11 pessoas morreram. Outras quatro foram mortas em cidades perto da fronteira com a Jordânia, no sul do país. Também foram registradas mortes também perto da fronteira turca e em Homs.

Na capital, onde a segurança foi reforçada e os moradores têm um padrão de vida mais elevado, os protestos são mais raros. No entanto, ativistas dizem que o número de pessoas nas ruas em Damasco ontem foi o maior desde o início dos protestos, em março. "Abaixo Bashar Assad", gritavam. Um morador disse por telefone que a polícia reprimiu os protestos no centro da cidade.

Pressão diplomática. Ontem, os EUA voltaram a defender uma transição democrática na Síria. Na Turquia, onde participou de um encontro do Grupo de Contato da Líbia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, criticou Assad. "Temos dito que a Síria não pode voltar ao que era. Assad perdeu a legitimidade", afirmou. "Com outros países na região, apoiamos uma transição democrática. O destino do povo sírio deve ser definido por eles mesmos." Desde o início da repressão na Síria, mais de 1,4 mil pessoas foram mortas pelas forças de segurança. Assad, que assumiu o poder em 2000 após a morte do pai, Hafez Assad, prometeu reformas, mas vem reprimindo com violência os protestos, desencadeados pela primavera árabe. Sua família controla o país desde 1971. / AP e REUTERS

PARA ENTENDER

Uma aliança pragmática

A aliança estratégica entre a Síria e o Irã é antiga e pragmática. Apesar das diferenças ideológicas entre os dois regimes - o secularismo árabe de Damasco e a teocracia xiita de Teerã -, os dois países se aproximaram após a Revolução Iraniana de 1979. Durante a Guerra Irã-Iraque, nos anos 80, Damasco ficou do lado iraniano.

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