Irã pode dialogar, mas não suspenderá programa nuclear

Ahmadinejad quer eliminar ´ambigüidades´ frente a ONU sobre objetivos atômicos

Efe e Reuters

11 Julho 2007 | 09h38

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quarta-feira, 11, que o Irã está disposto a dialogar com a comunidade internacional para fazer com que "as ambigüidades" desapareçam, mas advertiu que "estão errados aqueles que acreditam que renunciará" a seus direitos nucleares."O processo de instalações das centrífugas pode ser acelerado ou desacelerado, mas que ninguém acredite que frearemos nossa atividade neste campo", disse Ahmadinejad em Teerã.A resposta ao diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamad ElBaradei, surge no mesmo dia em que uma equipe nuclear da ONU visita o país para esclarecer o programa nuclear iraniano.Na última semana, ElBaradei assegurou que Teerã freou seu programa de enriquecimento de urânio, embora não tenha suspendido o projeto, como exige acomunidade internacional.Nesta quarta-feira, o Irã ofereceu-se para elaborar um "plano de ação" a fim de lidar com as suspeitas de que seu programa nuclear tenha fins militares. Teerã insiste que o objetivo do programa é puramente civil, mas enfrenta a possibilidade de mais sanções por não conseguir convencer as potências mundiais sobre isso. O presidente Mahmoud Ahmadinejad reiterou que o país continuará seu trabalho atômico. "O processo de instalação (de centrífugas) pode diminuir ou aumentar...mas ninguém deve esperar que vamos desistir de nossos direitos e interromper o processo", disse ele, segundo a agência de notícias oficial Irna. O diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed ElBaradei, declarou que a oferta iraniana de transparência combinada com uma desacelaração do enriquecimento de urânio aumentou as esperanças de acabar com o impasse com o país. Olli Heinonen, vice-diretor da AIEA, está à frente da delegação no Irã e deve se encontrar com o principal negociador nuclear do país, Ali Larijani, e seu vice, Javad Vaeedi. O Conselho de Segurança da ONU já impôs duas séries de sanções contra o Irã desde dezembro, porque o país descumpriu exigências de parar de enriquecer urânio - a parte do programa nuclear que mais preocupa o Ocidente, já que pode produzir combustível para usinas ou material para bombas.O temor de novas sanções contra o país refletiram na distribuição de combustível, cujo racionamento foi iniciado no final de junho. Apesar de abrigar grandes reservas de petróleo, o Irã não tem capacidade de refino suficiente e é obrigado a importar cerca de 40% do combustível que consome.Além disso, a gasolina no Irã é altamente subsidiada e vendida por cerca de um quinto do seu valor real. Dessa forma, o governo teme que os países ocidentais decidam impor sanções sobre as importações de petróleo do Irã, prejudicando sua economia.

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