Kirill Kudryavtsev/AP
Kirill Kudryavtsev/AP

Irã pode interromper enriquecimento de urânio em troca de combustível

Ahmadinejad quer que as seis potências supram a necessidade de combustível nuclear do país

estadão.com.br,

18 de junho de 2012 | 14h25

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse, durante reunião em Moscou, que Teerã estaria disposto a interromper o enriquecimento de urânio até um grau mais elevado de pureza - processo que pode ser usado para a produção de armas atômicas - caso as seis potências aceitem suprir a necessidade de combustível nuclear da República Islâmica. Mas não ficou clara quanta influência Ahmadinejad poderá ter nas negociações, ou se sua declaração reflete a posição de Teerã no diálogo.

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Os EUA querem limitar o enriquecimento de urânio a 20 por cento de pureza, nível que alguns especialistas veem como um perigoso passo rumo à capacidade de enriquecer o material até mais de 90 por cento, que é o nível necessário para o uso em armas nucleares. Ahmadinejad disse que "desde o começo a República Islâmica declara que, se os países europeus fornecessem combustível enriquecido a 20 por cento para o Irã, não enriqueceríamos até esse nível".

Especialistas e diplomatas acham improvável que alguma solução saia das reuniões de Moscou, onde as potências mundiais estão receosas em fazer concessões que permitam ao Irã prolongar o processo e ganhar mais tempo para desenvolver seu programa atômico.

Governos ocidentais temem que o Irã esteja desenvolvendo armas atômicas, o que Teerã nega, insistindo no caráter pacífico das suas atividades nucleares. Israel, que vê o Irã como uma ameaça à sua existência, ameaça bombardear instalações atômicas iranianas, o que poderia ter graves consequências para o mercado mundial de petróleo e para a economia global.

Uma fonte ocidental disse, pedindo anonimato, que os seis países envolvidos na negociação - EUA, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha - estão dispostos a aprofundar o isolamento diplomático e econômico do Irã se não houver acordo. "Se o Irã continuar indisposto a aproveitar as oportunidades que esse diálogo oferece, irá enfrentar pressão e isolamento continuados e intensificados", disse a fonte.

Com informações da Reuters

 

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