Irã poderia fazer bomba atômica em 2 ou 3 anos, diz estudo

O Irã está a pelo menos dois ou três anos de ser capaz de produzir uma arma nuclear, como disse na quarta-feira o centro de estudos IISS, o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos.Mas o grupo disse que as pressões norte-americanas contra o programa nuclear iraniano vão aumentar este ano, já que os iranianos dominaram o processo de enriquecimento de urânio.Segundo o IISS, as 250 toneladas de hexafluoreto de urânio (UF6) de que o Irã dispõe são suficientes para produzir entre 30 e 50 armas nucleares, quando enriquecidas. "O principal gargalo para a produção dessas armas ainda é como passar o UF6 pelas cascatas (de centrífugas) por longos períodos. Se o Irã superar os entraves técnicos, a possibilidade de que sejam tomadas medidas militares para conter o programa sem dúvida vai aumentar", disse o diretor-geral do IISS, John Chipman. O Conselho de Segurança da ONU impôs sanções ao Irã no dia 23 de dezembro e deu 60 dias para que o país pare de enriquecer urânio. O Irã afirma que só quer dominar a tecnologia para gerar energia elétrica com fins pacíficos. Chipman, que apresentou o relatório anual do IISS, disse que o Irã provavelmente vai cumprir sua meta de produzir 3.000 centrífugas até o fim de março. Mas ele disse que não fará sentido instalar todas elas enquanto os iranianos não conseguirem fazer as duas cascatas experimentais, de 164 centrífugas cada, funcionarem continuamente. Uma vez que as 3.000 centrífugas estejam funcionando bem, o IISS estima que o Irã precisará de entre 9 e 11 meses para produzir 25 kg de urânio altamente enriquecido, suficiente para uma arma nuclear. "Esse dia só vai acontecer no mínimo daqui a dois ou três anos", disse Chipman. Nem Israel nem os Estados Unidos descartaram o uso de força militar para interromper o programa. Mas especialistas duvidam que ataques a bomba consigam destruir as atividades nucleares do Irã, que estão espalhadas por vários locais, alguns subterrâneos. Os analistas também temem a retaliação iraniana e a desestabilização de toda a região. O chefe da agência nuclear da ONU, Mohamed El Baradei, disse na semana passada que um ataque contra o Irã seria "absolutamente contraproducente" e "catastrófico".

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