Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Irã prende 15 suspeitos de tramar contra cientistas

Teerã diz que grupo planejava morte de membros de programa nuclear; 5 morreram desde 2007

TEERÃ - O Estado de S.Paulo,

18 de abril de 2012 | 20h51

A mídia estatal iraniana anunciou nesta quarta-feira, 18, a prisão de 15 suspeitos, entre cidadãos iranianos e estrangeiros, acusados de associação com o que o Ministério da Informação do país descreveu como um complô "ligado ao regime sionista" para o assassinato de um dos seus "especialistas".

A reportagem da emissora estatal Irib também disse que os serviços de informações do Irã descobriram uma base de espiões israelenses num país vizinho não especificado, sem dar mais detalhes. A base seria "administrada pela agência de espionagem Mossad com o objetivo de coordenar operações contra os interesses do Irã".

Pelo menos cinco cientistas iranianos morreram em circunstâncias misteriosas desde 2007. Entre eles estava Mostafa Ahmadi Roshan, vice-diretor da instalação de enriquecimento de Natanz, morto em janeiro por uma bomba magnética afixada ao seu carro por um motociclista não identificado.

A reportagem foi publicada um dia depois de o Irã afirmar que um de seus principais cientistas nucleares - alvo de uma tentativa de assassinato em novembro de 2010, que também envolveu um motociclista e uma bomba magnética - tinha sido nomeado comandante para emergências nucleares e radioativas. As novas tarefas assumidas pelo cientista Fereydoon Abbasi não foram esclarecidas.

Os líderes iranianos responsabilizaram Israel e os EUA pelo assassinato de seus cientistas, acusação categoricamente negada pelos americanos. Israel, que considera o Irã seu inimigo mais perigoso, deu declarações mais vagas. Ambos os países suspeitam que o Irã esteja buscando a capacidade de produzir armas nucleares, mas o Irã insiste que o programa atômico tem finalidades pacíficas.

Depois do assassinato de janeiro, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, ordenou a adoção de novos procedimentos de segurança para os cientistas nucleares e os legisladores do Irã disseram que muitos suspeitos tinham sido identificados.

Ao descrever o suposto complô, a emissora estatal iraniana disse que o ataque era planejado para o dia 10 de fevereiro, véspera da celebração do aniversário da revolução iraniana, ocorrida em 1979, o que indica que as detenções anunciadas nesta quarta-feira devem ter ocorrido há mais de dois meses. /NYT

 
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