Irã prendeu alpinistas dos EUA em terra do Iraque

Em julho do ano passado, o Irã acusou três alpinistas americanos de entrar em território iraniano e mantêm dois deles presos em Teerã. Os documentos divulgados pelo site WikiLeaks revelam, no entanto, que Shane Bauer, Josh Fattal e Sarah Shourd estavam em território iraquiano quando foram presos por soldados iranianos.

, O Estado de S.Paulo

23 de outubro de 2010 | 00h00

Segundo os documentos, o incidente começou quando quatro americanos partiram da Síria para o norte do Iraque, planejando escalar a região de Ahmed Awa, na fronteira com o Irã. Um deles, Shon Meckfessel, adoeceu e ficou para trás enquanto seus amigos - Bauer, Fattal e Sarah - partiram. Segundo Meckfessel, a americana "ligou para ele avisando que o grupo foi cercado por homens armados".

Num primeiro momento, o Exército americano não sabia quem teria atacado os alpinistas. Uma autoridade da inteligência do Exército no norte do Iraque afirmou, inicialmente, que o incidente se tratava de um "sequestro", e que os três americanos teriam sido levados para o Irã.

Os documentos revelam o esforço frenético para localizar os alpinistas americanos. Um avião não tripulado e dois caças F-16 foram enviados para a região em que os americanos desapareceram. Forças especiais levaram Meckfessel para Bagdá para interrogatório. As informações sustentavam a afirmação de que os três eram turistas e não espiões, como Teerã afirma.

O Exército americano recebeu um relatório das forças de segurança curdas no norte do Iraque, afirmando que militares iranianos teriam prendido três cidadãos americanos "por estar muito próximos da fronteira". O documento de julho mostra a frustração com a "falta de coordenação" dos alpinistas em se aventurar no norte do Iraque, e apresenta algumas implicações para o incidente, como usar os três como exemplo de inimigo externo para atenuar a crise interna, já que o país enfrentava protestos após as eleições.

Sarah foi libertada em setembro, após o pagamento de fiança. Bauer e Fattal permanecem detidos em Teerã. / NYT

PERFIL

Julian Assange

Fundador do WikiLeaks

Enigmático revelador de segredos

O australiano Julian Assange, cujo site fundado em 2006 revelou ontem documentos secretos sobre a guerra no Iraque, ficou conhecido divulgando milhares de dados confidenciais sobre escândalos no mundo. No entanto, ele busca manter sua vida privada em absoluto segredo. Assange, de 39 anos, que se tornou o homem que fez a CIA tremer, rejeita dizer para onde vai, viaja de capital em capital alojando-se em casa de amigos ou simpatizantes, não informa o número de seu celular e tampouco a data exata de seu nascimento. Segundo a imprensa australiana, Assange destacou-se na adolescência como um hacker até que foi descoberto pela polícia de Melbourne.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.