Francisco Seco/AP
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Irã pressiona enquanto europeus tentam salvar acordo nuclear 

Diplomatas europeus se reúnem em Bruxelas para tentar uma negociação; Teerã afirma que pode retomar seu programa nuclear no patamar anterior ao pacto de 2015

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2019 | 12h25

BRUXELAS - O Reino Unido afirmou nesta segunda-feira, 15, que existe uma “janela pequena” de tempo para salvar o acordo nuclear com o Irã, e o governo iraniano sinalizou que retomará seu programa nuclear — visto pelo Ocidente como um disfarce para a fabricação de bombas atômicas — se a Europa for incapaz de fazer mais para salvar o pacto.

Diplomatas europeus se reuniram hoje em Bruxelas para discutir uma maneira de salvar o acordo. Reino Unido, França e Alemanha têm sido relutantes a impor sanções ao Irã apesar da decisão de Teerã de descumprir partes do pacto como o enriquecimento de urânio acima do limite imposto. A esperança dos europeus é de salvar o acordo por meio de negociações com o regime iraniano.  

As tensões entre os Estados Unidos e o Irã pioraram desde que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu no ano passado retirar seu país do pacto, mediante o qual o Irã concordou em limitar seu programa atômico em troca da suspensão de sanções econômicas que prejudicam sua economia.

“O Irã ainda demora um bom ano para desenvolver uma bomba nuclear. Ainda existe uma janela pequena, mas que está se fechando, para manter o acordo vivo”, disse o secretário das Relações Exteriores britânico, Jeremy Hunt, a repórteres ao chegar a Bruxelas para a reunião de chanceleres.

A reunião de Bruxelas tentará determinar como convencer o Irã e os EUA a diminuírem as tensões e iniciar um diálogo, em meio aos temores de que o pacto de 2015 esteja prestes a desmoronar.

Sanções

Em reação à reativação americana de sanções duras, que visaram sobretudo a renda do petróleo iraniano, o Irã recuou em alguns de seus compromissos nucleares com o acordo, levando França, Reino Unido e Alemanha, as partes europeias do pacto, a alertarem o regime sobre o descumprimento da totalidade dos termos.

Quando indagado se as potências europeias buscarão penalizar o Irã por violar partes de seus compromissos nucleares, Hunt respondeu que buscará um encontro entre as partes para lidar com a questão.

“Nós o faremos, e existe algo chamado comissão conjunta, que é o mecanismo criado no acordo que é o que acontece quando um lado acredita que o outro lado o violou, isso acontecerá muito em breve”.

O Irã afirma que jamais almejou uma arma nuclear.

Em Teerã, a agência nuclear iraniana disse que o país voltará à situação anterior ao acordo nuclear a menos que os países europeus cumpram suas obrigações.

“Essas ações não são tomadas por teimosia, mas para dar à diplomacia uma chance, de forma que o outro lado caia em si e cumpra suas tarefas”, disse o porta-voz da agência, Behrouz Kamalvandi.

“E se os europeus e a América não quiserem cumprir suas obrigações, criaremos um equilíbrio neste acordo reduzindo nossos compromissos e levaremos a situação ao que era quatro anos atrás”. / REUTERS e W. POST 

 

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