Irã produziu mais urânio enriquecido, alerta AIEA em relatório

Documento divulgado nesta segunda também revela que país já enriquece o material a 20%

Agência Estado

31 de maio de 2010 | 16h37

VIENA - O Irã acumulou mais de duas toneladas de urânio enriquecido, disse a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU), em relatório divulgado nesta segunda-feira, 31. O documento aumenta a preocupação dos Ocidente de que o país esteja desenvolvendo a capacidade de produzir armas nucleares.

 

Saiba mais:

especialEspecial: Os últimos eventos da crise nuclear

especialEspecial: O programa nuclear do Irã

lista Veja as sanções que já foram aplicadas ao Irã

lista Entenda a polêmica envolvendo o Irã

lista Leia a íntegra do acordo de Irã, Brasil e Turquia

 

Duas toneladas de urânio seriam suficientes para duas ogivas nucleares, embora o Irã diga que não deseja fabricar armas e que seu objetivo é apenas produzir energia.

 

Os EUA e os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança - Rússia, China, Reino Unido e França - apoiam um esboço para uma quarta rodada de sanções contra da ONU contra o Irã por causa da recusa do país persa em deixar de enriquecer urânio. Por sete meses, o Irã se recusou a aceitar um acordo intermediado pela AIEA que previa que o país exportasse 1.200 quilos de urânio de baixo enriquecimento à Rússia e França para serem transformados em combustível nuclear para um reator de pesquisa em Teerã.

 

O Ocidente aprovou a oferta porque ela faria com que o Irã exportasse a maior parte do urânio enriquecido que produziu e deixaria o país com menos de 1.000 quilos de material necessário para produzir urânio enriquecido num nível para fabricar uma bomba. O Irã rejeitou a oferta na época, mas agora diz que está pronto para enviar para o exterior a mesma quantidade de material e citou o apoio do Brasil e da Turquia na tentativa de se chegar a um compromisso e diminuir a pressão por uma nova rodada de sanções.

 

O relatório da AIEA diz que o Irã já enriqueceu 2.427 quilos a pouco mais de 3%. Isso significa que o envio agora para o exterior de 1.200 quilos ainda deixaria o país com mais material do que seria necessário para fabricar uma arma atômica. Essa condição torna o acordo não atrativo para os EUA e seus aliados.

 

"No dia 7 de abril de 2010, o Irã retirou 5,7 quilos de hexafluoreto de urânio (UF6) de sua primeira cascata" em sua instalação piloto de enriquecimento en Natanz, disse a AIEA no documento. "Segundo o Irã, o UF6 foi enriquecido a 19,7%."

 

Mas um graduado diplomata com conhecimento sobre as investigações da AIEA no Irã disse que o volume atual é maior. "O volume de 5,7 quilos era o existente no início de abril. Mas a instalação continuou a produzir desde então. Agora há mais", disse o diplomata.

 

O relatório confirma que o Irã mantém um programa separado de enriquecimento de urânio de pequena escala, usando matéria-prima a 3,5% e a enriquecendo a perto de 20%, outro obstáculo para o Ocidente. O Irã pode produzir urânio para a fabricação de armas mais rapidamente a partir do nível de 20%, o que faz de um programa separado outro obstáculo a qualquer acordo de troca de combustível.

 

Os EUA e seus aliados veem a insistência de Teerã em continuar a enriquecer urânio em níveis mais altos apesar de suas ofertas para aceitar o acordo de troca de combustível com suspeita, já que o país disse que originalmente tinha de enriquecer urânio a 20% como primeiro passo para fabricar o combustível para seu reator em Teerã.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.