Irã proibirá entrada de americanos em resposta a medida de Trump

Teerã anunciou que aplicará o princípio da reciprocidade e não permitirá que cidadãos dos EUA entrem no país por 90 dias; Sudão lamenta que medidas atinjam seus cidadãos e pede exclusão da lista de nações que apoiam o terror

O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2017 | 17h14

TEERÃ - O Irã anunciou neste sábado, 28, que aplicará o princípio de reciprocidade aos Estados Unidos após a decisão do presidente Donald Trump de proibir a entrada de cidadãos do país em território americano por um período de três meses.

"A República Islâmica do Irã, para defender os direitos de seus cidadãos e até que se solucionem todas as limitações insultantes dos Estados Unidos contra os iranianos, aplicará o princípio de reciprocidade", informou o Ministério das Relações Exteriores em comunicado.

Trump assinou uma ordem para proibir temporariamente a entrada nos EUA de cidadãos de sete países de maioria muçulmana - Líbia, Sudão, Somália, Síria, Iraque, Irã e Iêmen - para impedir a chegada de supostos terroristas dessas nações.

Em comunicado, as autoridades iranianas indicaram que a medida estará em vigor até que Washington suspenda a proibição para os cidadãos iranianos. Teerã classificou a decisão de Trump como "insulto flagrante aos muçulmanos do mundo" e considerou que isso fomenta "a propagação da violência e do extremismo".

"Apesar da falsa reivindicação de lutar contra o terrorismo e garantir a segurança do povo americano, este movimento será registrado na história como um grande presente para os extremistas e seus apoiadores", ressalta o texto.

O presidente iraniano, Hassan Rohani, já havia criticado anteriormente as últimas decisões de Trump, mas não se referiu diretamente a esta medida nem citou o líder americano. Rohani mencionou que esta é uma época de "reconciliação e coexistência, e não de erguer muros entre países", em referência ao polêmico muro que Trump insiste em construir na fronteira entre EUA e México.

A expectativa era que as relações entre Teerã e Washington piorassem com a eleição de Trump, que se mostrou contrário ao acordo nuclear assinado entre Teerã e seis países - China, EUA, França, Reino Unido, Rússia e Alemanha - em julho de 2015.

Lamento. O governo do Sudão lamentou neste sábado que as novas medidas migratórias aprovadas por Donald Trump incluam o país africano e pediu que o governo americano o retire da lista de nações que apoiam o terrorismo.

O veto às viagens dos sudaneses coincide com a suspensão de uma série de sanções econômicas impostas ao Sudão anunciada pelos EUA na semana passada, segundo especificou o Ministério das Relações Exteriores do Sudão em comunicado.

A suspensão das sanções foi resultado de "um frutífero e prolongado diálogo e cooperação entre os dois países, especialmente nas áreas de antiterrorismo", acrescentou a nota. Por isso, o Sudão pediu "a eliminação imediata" de seu nome da lista de países patrocinadores do terrorismo. O Sudão afirmou que manterá sua política de "relações construtivas" com os EUA e garantiu que continuará a dialogar com o governo americano. / EFE

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