Irã promete retomar diálogo com EUA sobre Iraque

Na terça, governo iraquiano pediu nova rodada de negociação entre os dois países

Agencia Estado

27 Junho 2007 | 14h43

O Irã anunciou que pretende reavaliar "por um ponto de vista positivo" um pedido iraquiano para a realização de uma nova rodada de diálogo entre Teerã e Washington, mas somente após os Estados Unidos responderem ao pedido, afirmou o ministro das Relações Exteriores iraniano nesta quarta-feira, 27. "Oficiais iraquianos propuseram isto" (a nova rodada de negociação), informou a agência de notícias estatal Irna citando Manouchehr Mottaki. "Nós vamos rever isso por um ponto de vista positivo depois que os Estados Unidos responderem à proposta", afirmou. A anúncio surge no dia seguinte à visita de um dia do presidente iraquiano Jalal Talabani a Teerã, onde ele se encontrou com autoridades do pais árabe. O ministro das Relações Exteriores do Iraque, Hoshyar Zebari, afirmou que o governo de Bagdá planeja reunir novamente embaixadores americanos e iranianos. O último encontro realizado entre embaixadores foi realizado em 28 de maio, em Bagdá, para discutir a questão da segurança no Iraque. O subsecretário de Relações Exteriores iraniano, Mehmdi Mustafaui, citado pela agência Irna, disse que Talabani poderá tentar convencer as autoridades iranianas a elevar a categoria da representação do Irã nas conversas com os EUA sobre a segurança do Iraque. O Irã exerce especial influência sobre a majoritária comunidade xiita do Iraque. Grupos sunitas e os EUA acusam o regime de Teerã de fornecer armas a grupos insurgentes na luta contra os Exércitos americano e Iraquiano. Armas Por sua vez, o Líder Supremo iraniano, Ali Khamenei, acusou os EUA de fornecer armas a "alguns grupos terroristas no Iraque", ao mesmo tempo que reafirmou seu apoio a Talabani. Khamenei, citado nesta quarta pela imprensa iraniana, também acusou os EUA e o Reino Unido de atuar contra os interesses do povo iraquiano. Ele afirmou que "a ocupação e a insegurança são os principais problemas do Iraque". O líder máximo iraniano fez as acusações durante a sua reunião com Talabani. "Os opositores do atual governo iraquiano (controlado pelos xiitas), encabeçados pelos EUA e Reino Unido, estão na realidade contra os interesses do povo do Iraque", disse Khamenei. Ele denunciou que "infelizmente, alguns governos da região também atuam contra os interesses dos iraquianos". Além disso, opinou que "os americanos se opõem à cooperação entre Irã e Iraque e se esforçam para deteriorar as relações entre os dois países, mas é preciso resistir a esses esforços". Além disso, apontou os serviços de espionagem dos EUA, do "regime sionista" (Israel) e "de alguns de seus aliados" como "os principais fatores da insegurança no Iraque". Ahmadinejad, que assistiu à reunião entre Khamenei e Talabani, reafirmou que "o Irã está sempre disposto a ajudar de qualquer forma com o governo iraquiano". A tensão que marca as relações entre Teerã e Washington por conta do programa nuclear iraniano tem aumentado nas últimas semanas principalmente graças à detenção de vários ativistas americo-iranianos, alguns acusados de "espionagem. Os EUA e o Irã freqüentemente têm se atritado por causa do enriquecimento de urânio pela nação islâmica. A Casa Branca diz que o programa tem como finalidade a construção de armas atômicas, embora o Teerã a afirme que seu propósito é pacífico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.