Irã propõe cúpula com Síria e Iraque para discutir violência

O Irã convidou nesta segunda-feira os presidentes iraquianos e sírio para um encontro para discutir o conflito iraquiano. Jalal Talabani, do Iraque, aceitou o convite e viajará a Teerã no sábado, segundo um deputado iraquiano que pediu para não ser identificado. A Síria, que é acusada de omissão em relação aos insurgentes que cruzam sua fronteira em direção ao Iraque - 100 por mês, segundo os EUA -, recusou o convite. Em um comunicado emitido na noite desta segunda-feira, 20, Kamaran Qaradaghi, porta-voz do presidente iraquiano, afirmou que na reunião marcada para a capital iraniana estão confirmadas as presenças apenas de Talabani e do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad. No entanto, segundo o porta-voz, Talabani aceitou um convite para se encontrar com o presidente sírio, Bashar Assad, em Damasco, mas sem uma data fixada. No Iraque, depois de um vice-ministro ter sido seqüestrado no domingo, mais dois políticos iraquianos foram atacados nesta segunda. Hakim al-Zalmily, vice-ministro da Saúde, escapou de um atentado ao ter seu carro alvejado por um grrupo armado. No segundo episódio, o ministro do Estado, o xiita Mohammed Abbas Auraibi, teve seu carro atingido por uma bomba, mas saiu ileso. Tanto Zalmily como o vice-ministro capturado no domingo, Ammar al-Saffar, pertencem ao Ministério da Saúde, liderado pelo partido do clérigo xiita antiamericano Muqtaba al-Sadr. A violência sectária entre xiitas e sunitas começou a atingir o governo na terça-feira passada, com um seqüestro em massa no Ministério de Educação Superior, realizado supostamente por pelo Exército de Madhi, milícias xiita de Sadr. "Estamos em um estado de guerra e por isso tudo é permitido", comentou o ministro da Defesa Abdel Qader sobre a onda de seqüestros. A declaração pode ser comprovada nos necrotérios do Iraque: mais de 80 corpos foram encontrados em todo o país nos últimos dias - 60 apenas em Bagdá. Outros crimes mataram ao menos 25 pessoas. Entre as vítimas está o comediante Walid Hassan, que foi assassinado nesta segunda-feira no bairro de Al-Yarmouk, a oeste de Bagdá. Hassan era famoso por protagonizar uma série que ironiza as forças de coalizão, os insurgentes, o governo e a corrupção no país.

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