Irã quer aliança com Paquistão e Afeganistão

País, que também se aproxa do Iraque, quer se tronar líder regional depois de 2014

Denise Chrispim Marin, O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE/ WASHINGTON - O Irã começou a se aproximar de Paquistão, Afeganistão e Iraque com o objetivo de tornar-se um líder regional depois de 2014, quando os EUA tiverem deixado os territórios iraquiano e afegão.

A primeira tentativa de articulação deu-se no último final de semana em Teerã, em paralelo à Conferência Internacional sobre a Luta Mundial contra o Terrorismo. Houve consenso sobre a "rejeição à interferência estrangeira" e a qualificação de Israel como a maior ameaça terrorista.

O encontro de Teerã permitiu o diálogo entre esses países logo depois do anúncio do presidente dos EUA, Barack Obama, de seu plano de retirada de 33 mil soldados americanos do Afeganistão até setembro de 2012, na semana passada. Os 68 mil restantes devem deixar o país até 2014. No Iraque, a retirada total dos militares americanos deve ser concluída no final deste ano. A partir de 2014, portanto,

"O Paquistão e o Irã compartilham laços históricos", afirmou o presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, durante homenagem a sua mulher e antecessora, Benazir Bhutto, assassinada em 2007. Considerado extremamente perigoso pelo governo americano em termos de proliferação nuclear, o Paquistão joga em dois campos, com a cooperação dos EUA (US$ 1,4 bilhão por ano) e com a proteção aos líderes da Al-Qaeda e do Taleban, como se verificou no caso da execução do terrorista Osama Bin Laden.

O presidente do Iraque, o sunita Jalal Talabani, declarou-se favorável a uma das demandas de seu colega e anfitrião, o xiita Mahmoud Ahmadinejad - remover os 3.400 militantes do grupo insurgente iraniano Mujahedin e-Khalq, atualmente alojados em território iraquiano. Os EUA pressionam o Iraque a mantê-los sob proteção porque seriam perseguidos no Irã.

A conferência trouxe ainda a público o presidente do Sudão, Omar al-Bashir, cuja ordem de prisão está determinada pela Tribunal Penal Internacional. Acusado de ter cometido crimes de guerra e genocídio no Darfur, Al-Bashir disse, durante o evento, haver exagero na definição internacional do terrorismo.

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