Irã quer aliança de segurança regional e fim de bases dos EUA

O mais alto membro da segurança nacional iraniana conclamou aos seus vizinhos árabes nesta terça-feira que retirem as bases militares americanas na região e se unam a Teerã em uma aliança de segurança regional.Ali Larijani disse a líderes árabes durante conferência nos Emirados Árabes que Washington é indiferente aos seus interesses e irá colocá-los de lado assim que não forem mais úteis."A segurança e estabilidade da região precisa ser alcançada, e nós devemos fazê-lo dentro da região, não trazendo forças estrangeiras", disse Larijani a uma audiência de líderes políticos e de empresas do mundo árabe e de outros locais, incluindo dos EUA. "Devemos nos manter sobre nosso próprios pés." Larijani garantiu aos líderes árabes que o escutavam que o Irã busca uma "coexistência pacífica", e que poderia substituir a segurança fornecida pelas bases americanas existentes na região, inclusive no Kuwait, Bahrein e Qatar. Outros países tem fortes acordos de treinamento e segurança com os EUA. "O Irã está em busca de estabilidade regional através da integração", afirmou. "Ele (o Irã) está ao lado de todos os governos muçulmanos da região". Mas muitos líderes árabes tem expressado dúvidas sobre o Irã renascente, incluindo seu apoio às milícias xiitas muçulmanas no Iraque e ao extremista xiita Hezbollah no Líbano. Eles também se preocupam com o programa nuclear iraniano, e temem que seja voltado para a produção de armas, apesar das negações iranianas. Alguns países árabes sunitas, como a Arábia Saudita, são rivais tradicionais do Irã xiita. Mas analistas em países menores, como o Kuwait, forte aliado americano, têm dito nos últimos meses que eles andam em uma fina linha entre não se contrapor ao Irã nem aos EUA. Os EUA também têm se preocupado sigilosamente sobre a possibilidade de um aumento da influência do Irã na região, apesar de muitos acreditarem que é muito difícil que países árabes corte suas relações de segurança com os EUA. Outros pequenos países no Golfo, no entanto, se recusaram a participar de recentes manobras anti-proliferação nuclear no Golfo, lideradas pelos EUA, aparentemente em medo de se indispor com o Irã. Larijani expressou irritação com o receio dos árabes em relação às intenções iranianas, dizendo que o Irã xiita e seus vizinhos, dominados pelos sunitas, tem mais em comum entre eles mesmos do que com os EUA ou Israel. "Alguns países consideram o Irã uma ameaça à região, se esquecendo de Israel", disse Larijani. Larijani reconheceu que qualquer saída dos EUA do Golfo seria gradual, mas considerou que um consenso estava sendo criado, mesmo entre os árabes aliados dos EUA. " Não aceitamos a relação entre os EUA e os países da região", afirmou Larijani. "Se você conversar com líderes árabes aqui, poderá ver que eles não estão felizes com a situação atual. Eles sentem que os americanos são dominadores. Eles não querem o embaixador dos EUA dando ordens." Larijani também disse acreditar que Washington está em uma "encruzilhada estratégica" no Oriente Médio. As políticas americanas no Iraque, Afeganistão, Líbano, e entre os israelenses e palestinos estão falhando, afirmou, e a pressão sobre a Síria e o Irã não enfraqueceu nenhum dos dois regimes. Washington precisa de uma maior mudança em suas políticas. Melhorar seu posicionamento e estabelecer uma data de saída do Iraque é o primeiro passo, disse Larijani. "Deve haver um cronograma, que serviria como um sinal positivo", afirmou o iraniano. "O mais claro sinal seria uma retirada das forças americanas na região".

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