HO/ AFP
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Irã quer cortar acesso a contracepção para aumentar a população

Para a organização Anistia Internacional, medidas transformarão iranianas em "máquinas de fazer bebês"

O Estado de S. Paulo

11 Março 2015 | 10h07

TEERÃ - O Irã quer reverter algumas de suas leis progressistas para planejamento familiar, ao proibir a esterilização voluntária e restringir o acesso a métodos contraceptivos. As medidas vêm gerando polêmica entre ativistas de direitos humanos, que as classificam como um retrocesso que irá transformar as iranianas em "máquinas de fazer bebês". 

Dois projetos de lei visam aumentar a taxa de natalidade no Irã. Um deles proíbe o acesso à esterilização voluntária, enquanto outro faz com que seja mais difícil para as mulheres sem filhos para conseguirem empregos. 

A Anistia Internacional, de acordo com os veículos britânicos The Guardian e BBC, adverte que a proibição da esterilização voluntária e o bloqueio a métodos contraceptivos pode aumentar o número de gestações indesejadas, foçando mulheres a realizarem abortos em condições arriscadas às suas vidas. 

A outra medida é vista pela organização de direitos humanos como um obstáculo às mulheres que querem se divorciar, além de levar empregadores a priorizar mulheres casadas e que já têm filhos.

Segundo a Anistia, se as duas leis forem aprovadas será um imenso retrocesso na sociedade iraniana em décadas. Até recentemente, o país vinha controlando a taxa de natalidade através da contracepção subsidiada pelo Estado persa.

As medidas poriam fim ao famoso slogan do país "duas crianças são o suficiente", seguindo a declaração do aiatolá Ali Khamenei, de que o planejamento familiar seria uma imitação do estilo de vida ocidental e que a população iraniana deveria ser duplicada. 

Opositores e críticos alegam que sua argumentação é infundada, uma vez que 70% dos 77 milhões de iranianos têm menos de 35 anos. 

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