Irã quer fim de sanções para permitir supervisão da AIEA

O Irã está pronto para permitir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) realize uma "supervisão completa" de seu programa nuclear durante cinco anos se as sanções da Organização das Nações Unidas (ONU) forem levantadas, afirmou o chefe da agência nuclear iraniana, Fereydoun Abbasi Davani, em declarações publicadas nesta segunda-feira.

AE, Agência Estado

05 Setembro 2011 | 17h06

"Nós propusemos que a agência mantenha as atividades e o programa nuclear do Irã sob plena supervisão por cinco anos, contanto que as sanções sejam levantadas", disse Abbasi Davani à agência de notícias Isna.

O Irã é alvo de quatro rodadas de sanções da ONU por sua recusa em suspender o enriquecimento de urânio em meio a temores do Ocidente de que o país queira construir uma bomba nuclear, acusação de Teerã nega veementemente.

Abbasi Davani não disse quando a oferta foi feita à AIEA ou o que quis dizer com "supervisão plena".

A maior parte das atividades nucleares iranianas já estão sob o controle da AIEA, dentre elas o enriquecimento de urânio, um processo que pode tanto produzir combustível para reatores nucleares quando material físsil para ogivas nucleares.

A AIEA revelou em relatório confidencial que está "cada vez mais preocupada com a possível existência no Irã de atividades nucleares antigas ou não divulgadas envolvendo ações ligadas aos militares".

Isso incluiria "atividades relacionadas ao desenvolvimento de carga nuclear para um míssil", segundo o relatório, que deve ser discutido pelos 35 membros do conselho da AIEA durante uma reunião marcada para o período entre 12 e 16 de setembro.

União Europeia

Para a União Europeia (UE), o Irã deve atender às suas obrigações internacionais a respeito de suas atividades nucleares antes de as sanções serem levantadas.

"O Irã ainda não obedece às suas obrigações internacionais, apesar do anúncio feito hoje", disse à agência France Presse Michael Mann, porta-voz da chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton.

Ashton fez uma "proposta concreta" ao Irã com o objetivo de melhorar a confiança sobre os objetivo de seu programa nuclear, afirmou Mann.

"Infelizmente, até agora, o Irã não aceitou esta oferta para entrar em conversações significativas", disse Mann.

"As resoluções do Conselho de Segurança da ONU preveem o levantamento das sanções assim que a confiança for restabelecida", declarou o porta-voz. As informações são da Dow Jones.

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