Irã quer reconhecimento como potência regional

Os Estados Unidos devem reconhecer o Irã como "uma importante potência regional", advertiu nesta quarta-feira o comandante da Guarda Revolucionária iraniana, general Yahya Rahim Safavi. Numa entrevista à televisão estatal de seu país, Safavi alertou que o Irã poderia utilizar o Estreito de Ormuz para pressionar potências estrangeiras. Cerca de 40% de todo o petróleo consumido no mundo passa pelo estreito, que possui 54 quilômetros de extensão e serve como porta de entrada e saída do Golfo Pérsico. "O Estreito de Ormuz serve como ponto de controle e pressão econômica sobre a rota de transferência de energia a essas potências estrangeiras que podem querer minar a nossa segurança regional", comentou Safavi. Ele reforçou ainda que o Irã é capaz de defender-se de qualquer invasão e advertiu aos americanos que não recorram a um ataque militar. As declarações do comandante da Guarda Revolucionária vieram à tona no quarto dia de manobras militares iranianas no Estreito de Ormuz. Os EUA estão por trás de um pedido do Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU) ao Irã para que cesse dentro de 30 dias suas atividades de enriquecimento de urânio, um processo que serve para gerar combustível para o funcionamento de usinas nucleares. Em grande escala, o enriquecimento de urânio pode gerar material para uso em ogivas atômicas. Especialistas, entretanto, acreditam que o Irã levaria anos para produzir urânio enriquecido em escala suficiente para carregar bombas atômicas. Pouco depois das declarações de Safavi, o Irã anunciou que testou com sucesso seu terceiro míssil em uma semana. De acordo com a televisão, as forças iranianas testaram um míssil secreto capaz de ser disparado de helicópteros e de aviões de combate. A televisão estatal iraniana informou que o míssil não necessita de um sistema de mira horizontal e assegurou que o Irã é o pioneiro em armas desse tipo. O teste ocorreu no âmbito das manobras militares no Estreito de Ormuz. Teerã testou dois mísseis e dois torpedos desde a última sexta-feira antes do teste de hoje.

Agencia Estado,

05 Abril 2006 | 20h44

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